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A MUSICA BRASILEIRA NA ERA DA REPRODUTIBILIDADE TÉCNICA: UMA ANÁLISE DA EXPERIÊNCIA DO OUVINTE DE DISCOS DE VINIL E AS PLATAFORMAS DE STREAMING
Gabriele Oliveira Teodoro, Gustavo Xavier Agostinho

Última alteração: 2023-10-18

Resumo Expandido (Entre 450 e 700 palavras)


A música brasileira é uma forma de arte reconhecida mundialmente por sua diversidade e riqueza cultural. Neste contexto, este artigo propõe a aplicação dos conceitos apresentados por Walter Benjamin em seu texto “A Obra de Arte na Era da Sua Reprodutibilidade Técnica” de 1936, à experiência musical, mais especificamente, à análise da fruição do ouvinte nos discos de vinil e nas plataformas de streaming.

Benjamin aborda a temática da aura da obra de arte, questionando a autenticidade e unicidade da experiência diante da reprodução técnica. Nas palavras de Benjamin, aura é “uma figura singular, composta de elementos espaciais e temporais: a aparição única de uma coisa distante, por mais perto que ela esteja” (Benjamin, 1994, p. 170). Embora Benjamin não tenha se aprofundado no tema da música, acreditamos que seus conceitos podem ser aplicados e testados nesse âmbito.

 

Vinis, streamings musicais e a aura da obra de arte

Os vinis têm uma aura especial, uma vez que cada reprodução demanda tempo e atenção, e é influenciada pelo ambiente em que é ouvido. O ritual de retirar o disco da capa, colocá-lo na vitrola e ajustar a agulha, por exemplo, contribui para uma imersão mais profunda na experiência musical. Além disso, o formato analógico proporciona uma qualidade de som peculiar, com nuances e texturas diferentes das versões digitais.

No entanto, com o avanço tecnológico, surgiram as plataformas de streaming musical, que oferecem acesso a um vasto catálogo sonoro de forma prática e instantânea. Essa facilidade de acesso e a possibilidade de ouvir canções em qualquer lugar e a qualquer momento, transformaram a forma como as pessoas consomem música. Diante disto, surge a questão: a experiência de ouvir música através das plataformas de streaming acarreta na perda da aura e da singularidade que Benjamin atribui à obra de arte?

Para responder a essa pergunta, dividimos o artigo em duas partes. Na primeira, faremos uma breve abordagem sobre os pensamentos de Walter Benjamin presentes em seu texto. A aura da obra de arte é um elemento central em sua discussão, destacando a unicidade e autenticidade que a torna especial. A partir desses conceitos, analisaremos a experiência de ouvir discos de vinil, desde seu advento até os dias atuais, e como essa mídia sonora contribui para a preservação da aura musical. A relação afetiva familiar, passando de geração em geração, e a importância do dono da loja de discos como mediador cultural, serão consideradas.

No segundo momento, mapearemos e entrevistaremos os responsáveis das duas principais lojas de discos em Juiz de Fora, Minas Gerais, e também moradores da cidade apreciadores e colecionadores de vinil, explorando os sentimentos e memórias associados a essa mídia. Dessa forma, investigaremos como a interação física com o objeto estético proporciona uma vivência única, que pode influenciar a forma como nos relacionamos com a música. Observaremos a diferença dessa experiência na era do advento dos streamings musicais, que traz novas possibilidades, tais quais a de pular faixas, criar listas de reprodução personalizadas e a de receber recomendações algorítmicas, o que pode alterar a maneira como as pessoas recebem a harmonia, favorecendo um consumo mais superficial e fugaz.

Portanto, concluímos que os conceitos de Benjamin sobre a aura da obra de arte podem ser aplicados à música, ajudando no debate sobre as diferenças dessas mídias. Ambas as experiências têm suas singularidades e desafios, e é importante reconhecer as possibilidades que cada uma oferece. A música brasileira, com sua rica diversidade cultural, continua a ser apreciada e vivenciada em diferentes formatos, mantendo-se como uma expressão artística significativa e em constante transformação, mesmo na era da reprodutibilidade técnica.

 

Referências

 

Benjamin, W. (2012). Magia e técnica, arte e política (Vol. 1, pp. 123-128). São Paulo: Brasiliense.

 


Palavras-chave


Música; Arte; Vinil; Streamings musicais

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