meistudies, 6º Congresso Internacional Media Ecology and Image Studies - A consolidação dos seres media

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As imagens, medium e mediação do SER: cópias ou reproduções como figurações aproximadas
Osvando de Morais

Última alteração: 2023-10-22

Resumo Expandido (Entre 450 e 700 palavras)


O SER em sua dinâmica heideggeriana produz imagens como instrumento de conhecimento. Esta constatação corresponde a uma das indagações mais importantes do século XXI. Entender a imagem como mídia na atualidade é entender o momento.  O termo mídia soa como uma repetição trivial, mas paradoxalmente tem um poder transformador imenso. Este caráter transformador serve para avaliar a tecnologia no nosso contexto e ao mesmo tempo ressaltar as lacunas que não são percebidas e muito menos pensadas em relação à tecnologia como ferramenta de produção de imagem. Nosso propósito, neste trabalho, é o de analisar a teoria das “Imagens Mentais” de Jean Piaget e Bärbel Inhelder na discussão sobre a constante necessidade da atualização do conceito forjado de mídia digital, tendo como centro as imagens “eidéticas”, para entender e pensar o SER que experimenta outras percepções e sensações e que concebe um sistema de sequência de associações instantâneas entre imagens, processo de recognição típico do contexto cultural atual.

Não é nosso objetivo repetir discussões sobre o que já foi exaustivamente discutido e muito menos fazer um resumo dos complexos problemas tecnológicos, mas situar este SER que se reconstrói a todo instante, assimilando os acontecimentos em um contínuo com configurações estáveis por instantes.  Estas imagens são i instrumentos de domínio que representam estados de domínios ou figurações que se sobrepõem, se confundem e interferem no todo midiático.

Nesta análise da imagem como mídia e como objeto cultural, nosso interesse neste trabalho é o de reavaliar as ideias sobre as máquinas que registram imagens e analisa-las como forma e também como prolongamento da percepção do SER que pode ser considerada indissociável deste mesmo SER. No entanto, é preciso explicar a formação da imagem e estabelecer detalhadamente como as imagens fazem a mediação direta nos vários processos de reprodução: cópias estáticas e cópias cinéticas. A hipótese da imagem como prolongamento da percepção não é suficiente para explicar sua produção, no contexto do século XXI. Os processos de interiorização e percepção mudaram. O tempo rápido e instantâneo deforma ou criam outra forma, os reflexos rápidos e sobrepostos de várias imagens embaralham. O inteligível não é mais essencial. O que importa é o que os sentidos podem perceber.

Neste processo de produção de imagem, os sentidos não conseguem perceber ou percebem de forma não convencional (Gumbrecht). Os argumentos são injustificáveis. O entendimento, conforme as ideias de Gadamer, só é conseguido submerso no irracional. Assim, à imagem está reservada um sentido colocado em contraponto com o inteligível. Explica-se o resultado como um enigma. Neste mesmo sentido, Aristóteles contribui, justificando a imagem como imitação, uma passagem para o fictício, o instável e o inacessível.

 

Gumbrecht, H. U. (2010). Produção de presença: o que o sentido não consegue transmitir. Contraponto.

 


Palavras-chave


O SER; Mídia; Medium e Forma; Cultura; Imagens Tecnológicas

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