meistudies, 6º Congresso Internacional Media Ecology and Image Studies - A consolidação dos seres media

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Territórios do local como espaço de fala no telejornalismo: o sentido da proximidade após a pandemia
Ranniery Fonseca de Sousa

Última alteração: 2023-10-16

Resumo Expandido (Entre 450 e 700 palavras)


Ao longo dos 73 anos desde a chegada da televisão no Brasil, o telejornalismo esteve presente desde o início e com o tempo foi se desenvolvendo o padrão que temos hoje nas emissoras abertas, com jornais em cadeia nacional e também as notícias locais ganharam espaço com telejornais que falam do que acontece perto de quem assiste e se relaciona com as notícias (Oliveira Filho, 2019).

Para Peruzzo (2005), a televisão, na verdade, nasce no nosso país com vocação local, até pelos equipamentos usados na época da instalação do meio, na década de 1950. E, assim sendo, é preciso observar que as emissoras foram surgindo onde havia maior nível econômico. A maior parte das emissoras nas primeiras duas décadas ficou concentrada na região Sudeste, seguida pela região Sul do Brasil (Oliveira Filho, 2019). Só na década de 1960 que essa vocação começa a mudar com o surgimento do videoteipe, tecnologia que permitiu a circulação de fitas e transmissão de programas em cadeia nacional.

A partir de 2020, a cobertura da pandemia de Covid-19 representou uma mudança na rotina de produção dos telejornais, na medida em que jornalistas tiveram que manter o distanciamento social para evitar que adoecessem (Renault, 2020). Mas ao passo que repórteres e fontes, ou ainda, jornalistas e telespectadores estavam distantes como medida de segurança, por outro lado houve reformulação na linguagem do telejornal, com o uso de vídeos, fotos e entrevistas realizadas de modo remoto, por meio do uso dos celulares e com programas de transmissão pela internet.

Esta pesquisa pretende entender as (re)configurações nas entrevistas a partir da Covid-19, utilizando como objeto os noticiários locais de afiliadas Globo no Nordeste, especialmente no horário de meio-dia, concentrando-se nos telejornais produzidos nas capitais da PB, PE e RN. Tendo como base metodológica a Análise de Conteúdo (Bardin, 1997) desses telejornais locais, serão apontadas as modalidades de entrevistas que continuaram sendo reproduzidas após a Covid-19, sendo elas com fontes locais/regionais/nacionais/internacionais.

Como hipótese, temos posto que o conceito de proximidade nas vozes do telejornal local, que sempre foi fundamental para a construção do sentido nas reportagens, ficou ainda mais fluido e a utilização de vozes múltiplas e distantes fisicamente se tornaram a realidade permanente a partir da pandemia, ocasionando um barateamento nas rotinas de produção e mais agilidade no processo de construção de reportagens e do telejornal em si.

 

Resultados e discussão

A partir de 2020, o mundo viveu uma revolução nessa relação de proximidade e os telejornais renovaram suas interfaces passando a usar programas como o Google Meet, Skype e o Zoom, para conduzir entrevistas remotas, permitindo que os repórteres falassem com fontes em qualquer lugar do mundo sem precisar estar no mesmo local físico. No entanto, a mudança para essa relação também trouxe desafios únicos. Essa nova modalidade muitas vezes não permite a mesma interação pessoal e a mesma sensibilidade ao entrevistador que uma entrevista presencial pode proporcionar.

Embora a mudança para entrevistas remotas e assíncronas tenha sido uma maneira de lidar com os desafios da pandemia, ela também pode ter efeitos duradouros na forma como o jornalismo é conduzido. Significa mais uma forma das emissoras afiliadas, sobretudo as menores e que têm mais fortemente a atitude de diminuir custos, reduzir os gastos. Além disso, pode tornar mais difícil para os jornalistas construir relações fortes e duradouras com as fontes, uma vez que a falta de contato pessoal pode limitar a ação humana inerente à atividade jornalística, de lidar com sensações que só são sentidas presencialmente.

 

Referências:

 

Bardin, Laurence. (1997). Análise de conteúdo. Edições 70.

 

Oliveira Filho, José Tarcísio. (2019). Proximidade no telejornalismo local e regional: uma proposta de sistematização. Revista Fronteiras - Estudos Midiáticos. V. 21 n. 2, Maio/Agosto, p. 102-105.

 

Peruzzo,  Cicilia. (2005).  Mídia  regional  e  local: aspectos conceituais  e  tendências. Comunicação  &  Sociedade,  São  Bernardo  do  Campo,  Póscom-Umesp, v.

26, n. 43, p. 67-84, 2005. https://www.metodista.br/revistas/revistas-ims/index.php/CSO/article/view/8637.

 

Renault, Letícia. (2020). O telejornal vai à guerra: a cobertura da pandemia de coronavírus no Brasil sob ataques do governo. In: EMERIN, Cárlida; Pereira, Ariane;. (Org.). Telejornalismo contemporâneo: 15 anos da Rede Telejor. 1ed. Insular, v. 1, p. 115-128.


Palavras-chave


telejornalismo; proximidade; produção de sentido

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