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SAÚDE NO TELEJORNAL: A FUNÇÃO PEDAGÓGICA DO TELEJORNALISMO NAS SÉRIES ESPECIAIS DA TV CABO BRANCO
Bruna Raquel Couto

Última alteração: 2023-10-18

Resumo Expandido (Entre 450 e 700 palavras)


Esta pesquisa visa debater a função pedagógica do telejornalismo observada em reportagens que abordam temas vinculados à saúde. O tema proposto à escrita acadêmica neste estudo é também pesquisado pela autora do trabalho no Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da Universidade Federal da Paraíba (PPJ/UFPB), e dá sequência às observações científicas feitas inicialmente de maneira restrita a função pedagógica do telejornalismo no combate a pandemia de Covid-19. O presente estudo parte da hipótese de que tais conteúdos podem gerar um conhecimento específico, capaz de impactar positivamente a sociedade no âmbito da saúde. Para tal, propõe-se a análise de três séries de reportagem especiais da TV Cabo Branco, afiliada Globo na Paraíba, produzidas por jornalistas e profissionais da medicina, com foco em questões relacionadas ao bem-estar humano, através do método de análise de conteúdo das produções telejornalísticas, ancorado na pesquisa bibliográfica.

Em determinados contextos, como no da saúde pública, a disseminação de informações advindas de fontes oficiais também se configura como ferramenta ativo no combate a doenças e promoção do bem-estar, tanto quanto qualquer outra ação de enfrentamento sanitário (MORETTI, OLIVEIRA, SILVA; 2012). No âmbito televisivo este apontamento fica ainda mais notável, uma vez que o alcance massivo deste meio de comunicação representa não apenas a tradução do poder socioeconômico dos grandes conglomerados aos quais as emissoras de TV estão filiadas, como também a influência social que os materiais televisivos possuem no seio da sociedade contemporânea.

Dessa forma, é possível observar que o telejornalismo especializado em saúde é capaz não apenas de promover o combate específico a problemas de saúde que afetam direta e clinicamente a vida das pessoas, como também de fomentar a ampliação do debate público sobre temas que podem ser abordados de forma ampla e plural, acessível e “traduzida” ao entendimento da massa que acompanha as produções. Isso é possível porque, conforme Oliveira (2014), a mídia se transformou ao longo do curso da história em uma aliada do campo da saúde ao divulgar e popularizar tipos de conexões entre a saúde e a ciência, fazendo uso de sua potencialidade de decifrar códigos informacionais para divulgar amplamente conhecimentos específicos outrora não repassados.

Tal “potencialidade” para decifrar códigos atua, na prática, a partir de uma preocupação didática do jornalismo, descrita por Vizeu (2009) como sendo o “cuidado” por meio do qual a reportagem traduz a informação ao público, tornando-a capaz de ensinar algo a alguém e, para além disso, trazendo à tona aspectos que poderiam não ser tão facilmente interpretados caso não houvesse a intervenção pedagógica jornalística, o que aqui nomeamos e entendemos como sendo uma linguagem pedagógica própria a função jornalística. É o fator que difere a produção noticiosa corriqueira daquela que consegue extrair o que há de fundamental da informação e repassar ao público que a consome de forma clara, explícita e didática. De forma pedagógica.

Buscando compreender o cenário que envolve estes aspectos, utiliza-se como objeto de pesquisa reportagens produzidas para séries especiais com temas relacionados à saúde na TV Cabo Branco. São reportagens das séries: “Sono – Por que dormimos?”; “Envelhecer – Bora Conversar?”; e “Alzheimer”. As séries foram escolhidas a partir do recorte de área, já que são relacionadas à saúde, e também partindo de uma categorização profissional produtiva – das três, uma é apresentada por um repórter da TV Cabo Branco (“Alzheimer”, com Plínio Almeida); outra teve uma jornalista freelancer contratada para a produção especial (“Envelhecer – Bora Conversar”, com Maria Antônia Demasi); e outra teve um médico como mediador das informações (“Sono – Por que dormimos?”, com André Telis).

A pesquisa apresenta um robusto conjunto de considerações científicas a respeito do telejornalismo mundial e brasileiro, a partir de reflexões de autores como Iluska Coutinho, Alfredo Vizeu, Adelmo Genro Filho, Cárlida Emerim, Margarida Rivière, Eduardo Meditsch, Gonzaga Motta, Antônio Brasil e Edna Melo. A possível evidência de aspectos da função pedagógica do telejornalismo nas reportagens apresentadas será a hipótese central.

 

Referências

Moretti, F. A., Oliveira, V. E., Silva, M. K. (2012). a informações de saúde na internet: uma questão de saúde pública?. Universidade Federal de São Paulo.

Oliveira, V. C. (2014). As fabulações jornalísticas e a saúde. In: Lerner K, Sacramento I, organizadores. Saúde e jornalismo: interfaces contemporâneas. Rio de Janeiro: Fiocruz.

Vizeu, A. (2009). O telejornalismo como lugar de referência e a função pedagógica. Revista FAMECOS.

 


Palavras-chave


Telejornalismo; função pedagógica; saúde; TV Cabo Branco.

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