meistudies, 6º Congresso Internacional Media Ecology and Image Studies - A consolidação dos seres media

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O 8 de janeiro de 2023: uma análise do enquadramento noticioso dos jornais Brasil de Fato, Folha de S. Paulo e Jovem Pan
Mariana Eduarda Agreste Silva, João Carlos de Sousa, Deborah Vieira, Mayra Regina Coimbra

Última alteração: 2023-10-24

Resumo Expandido (Entre 450 e 700 palavras)


No dia oito de janeiro de 2023, uma semana após a cerimônia oficial que deu posse ao atual presidente Lula (PT), brasileiros radicais foram a Brasília e depredaram os prédios do Congresso Nacional, Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal de Justiça (STF). Com o intuito de contestar o resultado das eleições que deram a vitória a Lula (PT) em outubro de 2022 contra Jair Bolsonaro (PL), apoiadores do ex-presidente se reuniram e elaboraram ações para manifestar a indignação e a revolta. Para eles, o Brasil jamais aceitaria um presidente de esquerda no poder, visto que, as prioridades e pautas importantes são distantes do governo anterior. Nesse sentido, bloquearam rodovias importantes e montaram acampamentos estratégicos, muitos em frente aos quartéis das Forças Armadas, com a esperança de que acontecesse alguma intervenção militar.

Sete dias após a cerimônia de posse do presidente democraticamente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), esses grupos organizaram um ataque e invasão a Esplanada dos Três Poderes, em Brasília, depredando e vandalizando o espaço, no que foi chamado, posteriormente pela mídia, como “ataques do 8 de janeiro”. O acontecimento acena e se assemelha a invasão ao Capitólio, sede legislativa dos Estados Unidos, que ocorreu no dia 6 de janeiro de 2021. Naquela ocasião, grupos da extrema direita e eleitores do candidato derrotado, Donald Trump, invadiram a sede a fim de contestar o resultado eleitoral.

Porém, o que pode ser entendido como uma reprodução do ataque à sede norte-americana, a invasão brasileira surpreendeu pelo número exorbitante de pessoas envolvidas e o nível de depredação testemunhado. Segundo levantamento da CNN Brasil[1], mais de 2.100 pessoas tiveram envolvimento (direto e/ou indireto) na invasão. Alexandre de Moraes, ministro do STF, pediu a prisão em flagrante de todos que puderam ser identificados e uma CPMI foi instaurada, em junho de 2023, para investigar os fatos e envolvidos no ato antidemocrático.

O jornalismo possui grandes influências no meio social. Ao refletir sobre isso, Rodrigues (1990) defende a importância de compreendermos como esses discursos mediáticos são construídos e como as pessoas se relacionam com e a partir deles. Para o autor, o discurso produzido pelos medias é um produto perfeito e tem a capacidade de alterar o funcionamento de instituições, dar voz a determinados assuntos, exacerbar diferenças, naturalizar discursos e esvaziar os conflitos entre um campo e outro.

Conforme aponta Gregory Bateson, uma outra questão que impacta a maneira de se fazer notícias é o enquadramento. Para o autor, enquadrar significa delimitar um assunto. Assim, através do enquadramento, os interlocutores conseguem interpretar a mensagem. Bateson ainda faz uma analogia com uma moldura de uma fotografia. A moldura que envolve a imagem coordena a percepção que o público deve ter, pois, o que está dentro da moldura não usa da mesma interpretação do assunto que ficou de fora. A discussão também vai inspirar Ervin Goffman (1974). Para o sociólogo, o enquadramento é construído de acordo com os princípios das agências de notícias, valores pessoais e morais.

Mauro Porto (2002), professor e doutor na área da Comunicação Política, traz noções importantes sobre como os processos de enquadre influenciam na opinião pública e, consequentemente, nos resultados eleitorais por meio de estratégias comunicacionais que produzem e reproduzem mensagens e significações que apelam ao subjetivo do receptor. Ao selecionar o que vai ser enquadrado, um recorte é privilegiado em detrimento de outro, favorecendo e/ou desfavorecendo determinadas agendas, pautas, eventos, pessoas etc.

Contudo, a pesquisa visa, por meio da análise de conteúdo e análise de enquadramento dos portais jornalísticos Brasil de Fato, Folha de S. Paulo e Jovem Pan, compreender que tipo de discursos foram veiculados e que mensagens foram produzidas, relativos ao que aconteceu no dia 8 de janeiro de 2023 e como essa temática ainda reverberou nas mídias.

Referências:

Araújo, V. T. (2017). Contribuições da análise do enquadramento noticioso para as pesquisas em comunicação. Temática, 13(05).

Gonçalves, T. (2011). A Abordagem do Enquadramento nos Estudos do Jornalismo. Caleidoscópio: Revista de Comunicação e Cultura, (5/6), 158-167.

Porto, M. P. (2002). Enquadramento da Mídia e Política [Apresentação em congresso]. XXVI Encontro Anual da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais – ANPOCS.

Rodrigues, A. D. (s.d.). Delimitação, natureza e funções do discurso mediático. Imprensa da Universidade de Coimbra. http://hdl.handle.net/10316.2/36641.

Simiema, C. (2023, 11 de janeiro). Invasão ao Congresso: entenda o fato que marcou a história do país. Politize. https://www.politize.com.br/invasao-ao-congresso/.

 


Palavras-chave


Enquadramento, Atos golpistas, Brasil de Fato, Folha de S. Paulo, Jovem Pan;

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