meistudies, 6º Congresso Internacional Media Ecology and Image Studies - A consolidação dos seres media

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REPRESENTAÇÃO DAS MULHERES EM THE LAST OF US PARTE I: DO VIDEOGAME À FICÇÃO SERIADA
Marina Alvarenga Botelho, Lara Lara Karoline Souza de Aquino, Deborah Luísa Vieira dos Santos, Mayra Regina Coimbra, Mariane Motta de Campos

Última alteração: 2023-10-31

Resumo Expandido (Entre 450 e 700 palavras)


Este artigo analisa as representações das personagens mulheres no videogame “The Last of Us – Parte I” (TLOU) e sua posterior transposição para a ficção seriada. A partir de análise fílmica, (Penafria 2009) e comparativa de cenas do jogo e da série, o estudo examina como os personagens femininos são retratados ao longo da narrativa, considerando suas características, papeis e desenvolvimento ao longo da história. Além disso, investiga como essas representações podem ter sido adaptadas ou reinterpretadas na adaptação intersemiótica do meio digital para a ficção televisiva.

Como base para as discussões teóricas, nos debruçamos sobre referenciais dos Estudos de Jogos (Game Studies) em diálogo com estudos de gênero, a partir de Murray (2018), Shaw (2014), Ruberg e Shaw (2017), Heritage (2022), Paredes-Odero (2022) e Silva (2022). Acerca de adaptações para ficções seriadas, trabalharemos com Hutcheon (2006), Joyce (2023), Serelle (2023), Thomas (2022) e Stevens (2021).

Como método de análise e discussão, optamos pelo recorte de cenas no jogo e na série para realizarmos análise fílmica, de acordo com o proposto por Penafria (2009), bem como exploraremos os papeis e as representações das principais personagens mulheres na versão digital e na versão televisiva das obras.

O jogo de videogame TLOU foi lançado em junho de 2013 para a plataforma Playstation 3, de forma exclusiva. Desenvolvido pela Naughty Dog e publicado pela Sony Interactive Entertainment, TLOU é considerado um jogo de sobrevivência, ação e aventura, se passa em um cenário pós-apocaliptico e é jogado em terceira pessoa. A narrativa acompanha os protagonistas Joel, um contrabandista de uma zona de quarentena, e Ellie, uma menina de 14 anos imune ao fungo mutante causador do colapso do mundo como conhecíamos. Joel deve levar Ellie aos Vaga-Lumes, uma milícia de rebeldes contra aqueles que detém o poder nas zonas de quarentena.

O jogo causou grande impacto em seu lançamento, sendo aclamado pela crítica e pela comunidade gamer, não só por aspectos técnicos, artísticos e de jogabilidade, mas principalmente por seu enredo e pela representação de personagens femininas e da comunidade LGBTQIAP+. Vencedor de mais de 200 prêmios, TLOU ganhou sua continuidade em 2020 - The Last of Us - Part II (TLOU2), que causou ainda mais conversação entre a comunidade, novamente pelo protagonismo e pela quebra de clichês em representações de personagens, mas também pela violência e posicionamentos éticos nos quais o jogo obriga o jogador a se colocar.

Dez anos após seu lançamento, TLOU foi adaptado para ficção seriada, produzida e levada ao ar pelo canal de televisão por assinatura HBO. Em nove episódios, a série adaptou o enredo do jogo homônimo e foi protagonizado pelos atores Pedro Pascal e Bella Ramsey nos papeis de Joel e Ellie respectivamente. O programa foi bem recebido e aclamado pela crítica e pelas comunidades de fãs, tendo sido considerado, ainda, uma série que quebra a “maldição” das más adaptações de videogame para ficções seriadas, como comentou Burgess (2023).

Grande parte desse sucesso se dá aos papeis exercidos pelas mulheres nas duas mídias, como responsáveis pelas principais motivações da jornada percorrida pelos personagens. Além de ocupar o papel de uma menina lésbica de 14 anos, o jogador conhece mulheres em papeis de liderança, não-clichês e que não reproduzem estereótipos conservadores de gênero.

Podemos ver essas escolhas, também na série, como o papel da médica que primeiro começa a investigar o surto do fungo que posteriormente transformará pessoas em zumbis ou monstros. Há, ainda, a líder dos Vaga-Lumes, Marlene, quem pede a Joel e sua parceira, Tess, que levem Ellie ao hospital. Tanto. Tanto Marlene, quanto Tess podem ser vistas como motivadoras da jornada percorrida pelos protagonistas e não reproduzem características de papeis tradicionais de mulheres no universo machista dos videogames. Do jogo à série, é importante examinar as estratégias de adaptação intersemiótica de uma mídia à outra: mesmo o jogo tendo sido aclamado por sua diversidade na representação de seus personagens, a série expande as discussões na construção dos personagens.

 

Referências

 

Burgess, J. (2023). Can The Last of Us TV series finally break the bad video game adaptation curse? The Conversation. Retrieved from https://theconversation.com/can-the-last-of-us-tv-series-finally-break-the-bad-video-game-adaptation-curse-197898

Heritage, F. (2022). Magical women: Representations of female characters in the Witcher video game series. Discourse, Context & Media, 49.

Hutcheon, L. (2006). A Theory of Adaptation. Routledge.

Joyce, S. (2023). Video Games in Transmedia Storyworlds: The Witcher and the Mothership Problem. Imagining the Impossible: International Journal for the Fantastic in Contemporary Media, 2(1). https://doi.org/10.7146/imaginingtheimpossible.129696

Murray, S. (2018). On Video Games. Routledge.

Paredes-Otero, G. (2022). Empowerment in the representation of female characters in video games. Raising awareness of social problems with The Last of Us Part II. OBRA DIGITAL, 22, February - August, 81-96. e-ISSN 2014-5039. DOI: https://doi.org/10.25029/od.2022.330.22

Penafria, M. (2009). Análise de Filmes - conceitos e metodologia(s). Apresentado no VI Congresso SOPCOM, Abril de 2009.

Ruberg, B., & Shaw, A. (2017). Queer Game Studies. University of Minnesota Press.

Serelle, M. (2023). A adaptação como ficção expandida na série contemporânea. Matrizes, 17(1), 21-36.

Shaw, A. (2014). Gaming at the Edge: Sexuality and Gender at the Margins of Gamer Culture. University of Minnesota Press.

Silva, L. L. (2022). Doctor Who? She! Representação e representatividade femininas sob a perspectiva de gênero na narrativa seriada Doctor Who. (Doctoral thesis). Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, SE.

Thomas, C. (2022). Introduction: The Art of Adaptation in Film and Video Games. Arts, 11, 71. https://doi.org/10.3390/arts11040071

Stevens, E. Charlotte (2021) Video Game to Streaming Series: The Case of Castlevania on Netflix. In: Global TV Horror. University of Wales Press. ISBN 9781786836946

 

Indexação: Ficção seriada; Game Studies; Gênero; mulheres; The Last of Us.

 

 

 

APRESENTAÇÃO


Palavras-chave


Ficção seriada; Game Studies; Gênero; mulheres; The Last of Us

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