meistudies, 6º Congresso Internacional Media Ecology and Image Studies - A consolidação dos seres media

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QUEM VOCÊ QUER ENGANAR? INFLUENCIADORES DIGITAIS E O USO DE FAZENDAS DE CLIQUES
Débora Oliveira, Thaiana Alves de Almeida, Laryssa Gabellini

Última alteração: 2023-10-25

Resumo Expandido (Entre 450 e 700 palavras)


Em uma geração movida por likes e visibilidade, há quem diga que vale tudo nas redes sociais. A corrida pelos números de seguidores e o aumento de engajamento nos perfis se apresenta como um reflexo de um público jovem e empenhado no empreendedorismo digital. Chega a 75% o número de adolescentes que afirmaram ter vontade de ser influenciadores digitais segundo pesquisa realizada pela INFLR, Adtech, especializada em marketing de influência (Cancian, 2022). Só no Brasil, mais de 13 milhões de pessoas se aventuram na profissão (Extra, 2023). Diante desse cenário, surgem caminhos que se propõem a facilitar a trajetória até esse local de visibilidade e destaque tão desejado. São plataformas especializadas em engajamento artificial, propondo conectar perfis de influenciadores a seguidores reais promovendo interações e evidenciando o perfil que contrata esse tipo de serviço. Essa ação ficou conhecida como Fazendas de Cliques, e encontrou no Brasil um cenário próspero para a sua expansão ao ter um público fiel que busca esse tipo de serviço, além da própria publicidade favorável realizada por influenciadores já consagrados em termos de seguidores, engajamento e atenção. O contrato funciona com a promessa que essas empresas fazem de conectar o perfil em questão a um usuário ativo, que curte, segue e até mesmo comenta o perfil do cliente, sem o uso de robôs ou tecnologia. As fazendas de cliques agem como plataformas parasitas. Van Dijck (2021), autora, referência na conceituação do fenômeno da plataformização, ajuda na compreensão das materialidades das plataformas, enquanto meios de produção e comunicação, ao mesmo tempo que amplifica o discurso de que as tecnologias nos permitem fazer por meio de suas interfaces. A Fazenda de Cliques, por sua vez, age como uma praga, que rompe a linearidade deste ecossistema de plataformas e modifica, os seus funcionamentos, impactando na esfera da interação do ambiente conectivo. Ou seja, quando uma empresa ou marca contrata um influenciador para um serviço de publicidade, e este agente social por sua vez redireciona esses resultados para uma Fazenda de Cliques, o seguidor real e potencial consumidor do produto não é atingido. Com isso, os resultados obtidos pela marca ficam restritos a números de curtidas e comentários, mas não há a materialidade do interesse pelo que está sendo oferecido ou no consumo dos produtos. Diante do exposto trabalharemos com três caminhos: o primeiro é de apresentar o universo desses ambientes de interação, conexão, fluxos e dinâmicas, ou seja, as plataformas digitais e suas funcionalidades relacionadas a um modelo de negócio que conta com os influenciadores como porta de entrada para marcas e produtos. O segundo é apontar as ramificações e poluições que as fazendas de cliques ocasionam na fruição desses espaços digitais apontando exemplos de grandes influenciadores que já publicizar conteúdos referentes a esse parasitismo (Van Djick, 2021). E por fim, a partir de uma análise indiciária, observando o que os exemplos apontam em relação às barreiras e affordances quebradas iremos discutir os impactos desse fenômeno para os usuários reais, preocupados em consumir conteúdos fiéis. Apresentamos alguns dos principais elementos que permeiam a utilização das Fábricas de Cliques pelos influenciadores digitais, tendo como principal interesse demonstrar a importância e a necessidade de ampliação dessas discussões. Considerando a importância da temática, e a sua dimensão, nos limitamos a um pequeno recorte desta realidade. Em livre interpretação, o influenciador poderia ser compreendido como o único beneficiário dessa relação. Entretanto, é fundamental compreender que, a longo prazo, as empresas não mantêm contrato quando não há retorno financeiro. Ou seja, apesar das boas métricas que podem ser apresentadas nas redes sociais, a falta da conversão dos usuários em compradores é um fenômeno que facilmente será percebido pela empresa, que não voltará a fazer a contratação. Apesar de parecer ser uma solução inovadora, que burla as regras das plataformas, a prática de Fazenda de Cliques só representa malefícios a todos os integrantes desse espaço digital, sejam eles os seguidores, as plataformas, os influenciadores e principalmente as marcas. Assim, esse artigo tem como premissa reforçar a necessidade de que o influenciador compreenda seu verdadeiro papel no ambiente digital além do interesse financeiro.


REFERÊNCIAS

Cancian, T. (2022, 12 de abril). Como é possível jovens comuns se tornarem milionários com a internet. Exame Invest. Recuperado de https://exame.com/invest/minhas-financas/como-e-possivel-jovens-comuns-se-tornarem-milionarios-com-a-internet_red-01/

Extra (2023, 05 de Abril). Brasil já tem mais influenciadores digitais do que advogados e médicos. Extra. Recuperado de https://extra.globo.com/economia/noticia/2023/04/extra-25-anos-brasil-ja-tem-mais-influenciadores-digitais-do-que-advogados-e-medicos.ghtml

Van Dijck, J. (2020). Seeing the forest for the trees: Visualizing platformization and its governance. New Media & Society, 23(9) 2801-2819, https://doi.org/10.1177/1461444820940293

 

 


Palavras-chave


Influenciadores Digitais; Fazenda de Cliques; Internet

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