meistudies, 6º Congresso Internacional Media Ecology and Image Studies - A consolidação dos seres media

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Jornalista: o novo influencer do mercado?
Iluska Maria da Silva Coutinho, Ana Luiza Tostes

Última alteração: 2023-10-26

Resumo Expandido (Entre 450 e 700 palavras)


A presença de jornalistas nas redes sociais está cada dia  mais intensa, o que estimula novas formas de acesso do público aos profissionais da informação, com a potencialização de linguagens em um ambiente em fluxo e conectivo (Santaella, 2003). É por meio das redes que os jornalistas agora  também apuram parte das notícias, publicam textos e vídeos compartilham informações. Seus perfis pessoais em redes como Instagram e Twitter (ou X) são agora um espaço informativo, mas também de constituição e reforço do vínculo entre jornalistas profissionais e audiência, em alguns casos reunida em fãs-clubes, um tipo de perfil também presente nas redes.

A facilidade de se comunicar em telas junto com os avanços das novas tecnologias em redes, contribuiu para que os jornalistas passassem a não utilizarem as redes somente como forma de informação e difusão do seu trabalho, mas também, de se comunicarem com o público de forma direta. Nesse sentido, e algumas vezes somando um (re)conhecimento nativo de outras telas, como as de emissoras de televisão aberta e por assinatura, esses profissionais se tornam pessoas influentes também no ambiente digital, contribuindo para debates e formação de  opinião nesse novo ecossistema midiático. Essa atividade por um lado poderia ser relacionada à uma das funções sociais do jornalismo; o jornalista cumpriria dessa forma seu papel de levar a informação correta e bem apurada, contribuindo para esclarecer o cidadão em sua  tomada de decisão, ajudando-o a construir sua própria percepção acerca da realidade (Kovach & Rosenstiel, 2003). Por outro lado, porém o tipo de proximidade característico das relações nas redes sociais digitais, e a natureza da  interação entre público e profissionais da informação, foi amplificada de forma potencial, e pode estar tensionando aspectos da objetividade jornalística como ritual estratégico (Tuchman, 1999). Esse tipo de ação ritualística, estratégica, seria possível em um ambiente digital marcado pela aproximação entre jornalista e audiência?

A partir dessa perspectiva propomos a reflexão acerca dos papéis assumidos pelo jornalista profissional na ambiência em redes digitais. Ao se aproximar do público, e do universo dos fãs, estariam repórteres, comentaristas e apresentadores, atuando como influenciadores digitais? No espaço digital e das redes, há uma profissionalização do chamado “influencer”, atividade próxima do marketing. O influenciador digital seria uma persona/ perfil que se destacaria pela capacidade de influenciar potenciais compradores de um produto ou serviço. Essa influência ocorreria por meio de promoção e recomendação de produtos ou serviços, tendo como contrapartida o recebimento do item ou de cachês. De acordo com o Dicionário Oxford, o influenciador seria aquele “(...) que influencia a opinião e o comportamento de um número muito grande de seguidores por meio de criação e compartilhamento de conteúdo pelas redes sociais”. Caberia a atuação do jornalista profissional nessa ambiência, com fronteira tão próxima do universo comercial e do marketing?

Se antes o Jornalismo como atividade fim é que deveria ser portadora de confiança, em processos contemporâneos de personalização da credibilidade (Coutinho, 2022), haveria um deslocamento, com o/a profissional, nas redes sociais digitais, assumindo o papel de “figura de confiança”. Em que medida essa aproximação do jornalista de um campo de práticas associados ao marketing de influência pode representar no limite riscos para a credibilidade do Jornalismo, como atividade relevante para a sociedade, e para a democracia em particular? O trabalho toma como referencial teórico a existência de uma “Dramaturgia do telejornalismo” (Coutinho, 2012), considerando a concepção ampliada de telejornalismo como aquele que é produzido/ experimentado por meio de telas, de televisores, computadores e celulares. Nessa perspectiva, buscamos compreender as tramas contemporâneas de circulação de informação em vídeo a partir do perfil de jornalistas profissionais. Que imagem do Jornalismo emerge a partir desses registros? Qual papel exercido pelo jornalista nas telas? Como se constrói, alimenta e compartilha a credibilidade do Jornalismo e dos jornalistas nessas circulações de material audiovisual em redes sociais digitais? Para responder a essa questão, o trabalho toma como objeto empírico perfis de jornalistas profissionais em atividade em emissoras de televisão brasileiras em redes sociais digitais, e especialmente, os registros em vídeo por eles compartilhados nesses espaços, investigados a partir do método da Análise da Materialidade Audiovisual.

Referências

Coutinho, I. (2012). Dramaturgia do telejornalismo. Rio de Janeiro, Mauad Editora Ltda.


Coutinho, I. (2022). Credibilidade como valor personalizado no telejornalismo: Vínculos tecidos em rede entre audiência e jornalistas profissionais [Trabalho apresentado em congresso]. 45º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação - Intercom, João Pessoa, Brasil.


Kovach, B., & Rosenstiel, T. (2003). Os Elementos do Jornalismo. (W. Dupont, Trad.), Geração Editorial.


Santaella, L. (2003). Culturas e Artes do Pós-humano: da Cultura das Mídias à Cibercultura. Paulus Editora.


Tuchman, G. (1999). A objetividade como ritual estratégico. In: N. Traquina (Org.), Jornalismo: Questões, Teorias e Histórias (2ª ed., pp. 74-90). Vega.





Palavras-chave


Jornalista; Credibilidade; Influenciador; Redes Sociais Digitais; Fã;

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