meistudies, 6º Congresso Internacional Media Ecology and Image Studies - A consolidação dos seres media

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Opto, a nova forma de ver televisão em português
Ana Cristina Santos, Patrícia Weber, Ana Gabriela Custódio Frazão-Nogueira

Última alteração: 2023-10-18

Resumo Expandido (Entre 450 e 700 palavras)


No relatório da ANACOM 2021, Portugal é o quarto país da UE27 em que o serviço streaming mais cresceu, assegurando, os portugueses, a 15ª posição do ranking europeu. De acordo com o mesmo texto, estes números vêm confirmar os de 2020, ano em que, no nosso país, o vídeo streaming on demand chegou aos 34%, um acréscimo de 20% relativamente a 2018, justificado pelo período de pandemia. Outro dado de relevo que esse mesmo documento indica é que são os indivíduos entre os 16 e os 34 anos, estudantes com ensino superior e rendimentos mais elevados, que apresentam mais recetividade (e acesso) ao streaming.

Isto quer dizer que hoje, como nunca, a tecnologia conceptualiza espaços e tempos, imiscuindo-se, sem reservas, em todas as áreas e, por isso, de todas as conceptualizações de tipologias geracionais que cada avanço cronológico sistematizou, chegámos à “geração de screenagers” (Muanis, 2013).

De facto, mais de que uma transformação, a adaptabilidade e abrangência do Media proporcionou a que a televisão se metamorfoseie evolutivamente do analógico ao digital, primeiro, e do broadcast ao streaming, fintando, sub-repticiamente, a morte anunciada. É, aliás, principalmente neste Media que se confirma McLuhan (1994), na constatação de que um Media, em vez de desaparecer, modifica-se. Falamos de convergência (McQuail, 2003) e de remediação (Bolter & Grusin, 2000), de que o ‘prime time’ dá lugar ao ‘my time’, de uma nova realidade com grande impacto e poder de influência nos modos de fazer, de circular e de assistir televisão (Rios, 2021). Mas até quando? Ou seja, poderão, de facto, as novas plataformas de streaming ditar o fim paulatino do broadcast, ou, pelo contrário, constituem, de facto, um aliado na (re)invenção dos conceitos de produzir e ver televisão?

Em Portugal há um serviço, pioneiro e, até ao momento único, em língua portuguesa. A OPTO, foi lançada em 2020 e, segundo assume o seu canal propulsor, é “uma nova forma de ver a SIC”. De acordo com o site oficial (Opto, 2022), o serviço streaming da SIC leva ao público mais de 8 mil horas dos melhores conteúdos nacionais e não só. Acima de tudo, é uma estratégia diferente da RTP Play. Na verdade, ambas reclamam, para si, o pioneirismo e poderão fazê-lo, mas por circunstâncias distintas: ao contrário da RTP Play e também da TVI Player, a OPTO é o primeiro serviço nacional pago, sujeito a subscrição, com conteúdos exclusivos e em língua portuguesa e é aquela que mais se assemelha à Netflix, o motor de todo este novo paradigma.

O presente texto, tem por base uma dissertação de mestrado apresentada na Universidade Fernando Pessoa e é suportado por uma pesquisa qualitativa de metodologia mista. Ou seja, para melhor ficar a conhecer a interface e funcionalidade da plataforma de streaming OPTO, teve-se por base Yin (2016) e Chizzotti (2018) e não só se efetuou a sua observação e análise quantitativa dos conteúdos disponibilizados pela OPTO em comparação com a RTP Play, (o serviço streaming da televisão pública nacional), mas também foi realizado um conjunto de onze entrevistas baseadas em questões semiabertas e dirigidas.

De uma forma transversal, pode-se resumir os conteúdos recolhidos como a confirmação de McLuhan, ou seja, tanto o broadcast como o streaming têm lugar neste novo panorama do audiovisual, bastando, para tal, soluções criativas por parte dos players, já para não falar dessa convergência omnipresente e multiscreen, uma complementaridade que se torna cada vez mais evidente.

 

Bolter, J. D., & Grusin, R. (2000). Remediation: Understanding New Media. MIT Press.

Chizzotti, A. (2018). Pesquisa em ciências humanas e sociais. Cortez Editora.

McLuhan, M. (1994). Understanding Media: The Extensions of Man. MIT Press.

McQuail, D. (2003). Teoria da Comunicação de Massas. Fundação Calouste Gulbenkian.

Muanis, F. (2013). O tempo morto na hipertelevisão. In A.Brasil, E. Morettin, & M.Lissovsky (Orgs.),Visualidades hoje (pp. 173-189). EDUFBA.

Opto. (2022, Outubro 10). Página inicial. https://opto.sic.pt/

Rios, D. (2021). Televisão e plataformas: um estudo de caso sobre a datificação nos serviços SVoD Netflix e Amazon Prime Vídeo. Revista fronteiras – estudos mediáticos, 23(1), 68-79. https://doi.org/10.4013/fem.2021.231.06

Yin, R. K. (2016). Pesquisa qualitativa do início ao fim. Editora Penso.


Palavras-chave


Televisão; Streaming; Transição

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