meistudies, 6º Congresso Internacional Media Ecology and Image Studies - A consolidação dos seres media

Tamanho da fonte: 
O fotojornalista e seu acervo que constitui identidade: os trabalhos fotográficos de Jaime Colagiovanni. Narrativas visuais e memória.
Santiago Naliato Garcia

Última alteração: 2023-10-17

Resumo Expandido (Entre 450 e 700 palavras)


O tema desse trabalho é a Acervologia no fotojornalismo. Temos como objetivo a produção e constituição de um acervo fotográfico de três profissionais que foram o recorte de nossa tese defendida na USP (Universidade de São Paulo), dos quais apresentaremos o último deles nesse trabalho inédito: Jaime Colagiovanni, que foi o primeiro deles a realizar extenso trabalho no Noroeste Paulista e exercer influência sobre os demais. A pergunta problema que instigou nossa pesquisa é: quais as ações de preservação do acervo fotográfico são efetivas e estão sendo realizadas para garantir a permanência e o resgate da memória desses fotojornalistas? Essa questão nasce da nossa hipótese de não havia nenhum esforço institucional para garantir tal material e manutenção desses acervos, e que pretendemos demonstrar.

Para isso, iniciamos nossa averiguação por meio de entrevistas informais para exploração inicial, o que gerou o aprofundamento formal, com coleta, e temático a partir de um questionário levando-nos ao recorrente e massivo aparecimento de três nomes sempre citados. O primeiro deles é de Jaime e, os outros dois, são Edson Baffi e Toninho Cury, profissionais que não trataremos neste trabalho pois já tiveram trabalhos próprios publicados em 2022, mas são citados para demarcação de sua localização ao decorrer da pesquisa e dos demais trabalhos futuros.

Esse movimento de busca e a sua relação com a importância material foi auxiliado pela revisão bibliográfica acerca da escrita historiográfica, tema que no direciona para: como fazer? Sobre o quê? Para quem? Assim, por se tratar do primeiro fotojornalista a ser apresentado via periódico e produções diversas derivadas da tese, escolhemos De Certeau (2011), com sua obra A Escrita da História, para trazer esse relato e apresentar nossos resultados parciais. O trabalho completo, mais amplo, contou com a revisão da produção de De Certeau (1998) e (2011), Le Goff (2006), Ricoeur (2014) e, por fim, Veyne (1992); optamos pela exposição aprofundada do primeiro deles para intimamente aprofundar a questão da pesquisa aqui proposta com interações de outros autores, se necessário.

Assim, após trazermos o primeiro texto de análise faremos a exposição de algumas das fotografias cedidas para o trabalho e, por fim, faremos nossas considerações resgatando alguns elementos essenciais no trabalho completo. Entendemos – especialmente no processo dessa pesquisa – que a perda da memória é inevitável, mas aprendemos especialmente com a revisão bibliográfica que sua rememoração é possível e necessária. A própria pesquisa, em si, e os esforços de outros seres sociais em pesquisas como essa são capazes de trazer para a memória lembranças e material de produção técnica que registram a passagem inevitável do tempo, mas de possível recuperação de seus rastros. Entretanto, não devem ser os únicos movimentos de esforço de preservação e sim um dos que – esperamos – possam surgir futuramente e que vão, pouco a pouco, mantendo presente no coletivo trabalhos e significações simbólicas da transformação ordinária das cidades e de seus habitantes, dois assuntos exaustivamente retratados ao longo de toda a carreira dos fotojornalistas.

Antes da análise do texto apontado na introdução, relatamos que De Certeau (2011), apresenta uma questão da linguagem comum à linguagem científica, exemplificando fundamentos básicos como o conceito de cotidiano, espaço e espacialidade, tempo e temporalidade, passando por temas como religião, política. Aponta, em suas exemplificações, as transformações sociais e apropriações resultantes. Trata, ainda, da alteração do simbólico pelos ser individual e pelo simbólico, passando pelas Práticas de Espaço, caminhadas pela cidade, naval e carcerário e os relatos de espaço e tempo.

Assim, as imagens que formam nossa proposta acervológica para resgatar qualquer noção de memória somaram, no de Jaime, 31 fotografias divididas por décadas: 10 imagens da década de 1950, 10 da década de 1960 e 11 da década de 1970, única marcação realizada na caixa que armazenava os negativos fotográficos e recuperados pela doação de Dea da quase totalidade de arquivos para Fernando Marques, historiador local.

Memória é, portanto, para nós que a acessamos a todo instante, absolutamente tudo. Ela liga ações ao longo do tempo, fatos.  É, portanto, a partir da essência cotidiana e de senso comum que podemos avançar em sua identificação e compreensão sinalizando o papel e a presença de tais produtos simbólicos e documentais para contextualizar a passagem do tempo e a necessidade de constituir e reconstituir, a todo instante, nossa memória, condicionante da nossa identidade.

Referências

De Certeau, M. (1998). A Invenção do Cotidiano. Vozes.

De Certeau, M. (2011). A escrita da História. Forense Universitária.

Le Goff, J. (2006). História e Memória. Editora Unicamp.

Ricoeur, P. (2007). A Memória, a História, o Esquecimento. Editora Unicamp.

Veyne, P. (1992). (Org). História da Vida Privada. Companhia das Letras.

 

 


Palavras-chave


Fotografia e Memória; Memória do Noroeste Paulista; Fotojornalistas e Fotodocumentaristas;

Texto completo:

PDF - pt