meistudies, 6º Congresso Internacional Media Ecology and Image Studies - A consolidação dos seres media

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Salas de cinema e ecologia dos meios: Atrações, ambientes e fantasmas
Wilson Oliveira da Silva Filho, Márcia Bessa

Última alteração: 2023-10-24

Resumo Expandido (Entre 450 e 700 palavras)


Esse trabalho tem como objetivo compreender as salas de cinema como ambientes midiáticos a partir de uma concepção que se relaciona tanto com o campo da ecologia dos meios (media ecology) quanto aos estudos em torno do cinema de atrações –  conceito elaborado por Tom Gunning para designar a um só tempo os primórdios do cinema e uma forma estética, sensorial de pensar o cinema. Ao refletir sobre os lugares da exibição de filmes, ampliando-os para além da sala que hoje predomina, o cinema no shopping, nosso intuito envereda por compreender o cinema como um envoltório sensorial e ecológico sempre aberto às possibilidades que novas mídias trazem para os estudos de cinema para além dos filmes. Para tal, a media ecology e suas aberturas interdisciplinares nos parecem ótimo ponto de partida para que o cinema volte a habitar o lugar que o consagrou sem esquecer outros espaços e possibilidades. Muitas discussões aparecem em grupos de nostálgicos da sétima arte sobre a manutenção e reabertura de salas de cinema; surgem vis-à-vis diversos curiosos trabalhos artísticos que evocam memórias desses lugares. Em busca dessas salas perdidas estão o Movimento CINERUA, CineRua PE, Volta Cine Petrópolis, entre tantos outros. Mas acreditamos que, de forma mais eficaz para a discussão proposta, trabalhos como o work in progress de cinema ao vivo “Cine Fantasma”, idealizado por Paola Barreto, relacionando à sala de exibição do ponto de vista das fantasmagorias às memórias coletivas desses espaços, trazem um melhor entendimento dessa leitura ambiental das salas.  Uma pajelança segundo Paola e, ao mesmo tempo, uma assombração que usa a projeção nas fachadas do que outrora eram salas de cinemas. O cinema em toda sua mistura de espaço, linguagem e sociabilidade transformado em performance audiovisual em tempo real e em diálogo com a memória do espaço (um lugar digital de memória de uma arte analógica), mas também com o registro visual/audiovisual que faz reviver temática importante e periférica ao nosso artigo: as lembranças do cinema. Um registro também verbivocovisual para usarmos a expressão de James Joyce, uma vez que essa performance em tempo real também se tornou um pequeno curta metragem documental com relatos dos envolvidos, a artista e o público.

A sala de cinema não nasce com os primeiros filmes, hoje ela precisa conviver com uma variedade de outros lugares e de um novo público. Parece estarmos diante de fenômenos que desafiam os lugares canonizados do cinema, a saber a sala de cinema, e de uma nova inerência das imagens como em projetos como o “Videurbe e “Projetemos”, que transformam a cidade em tela.  Em outras superfícies como as árvores nos trabalhos de Roberta Carvalho e as jangadas do Cine Jangada em Pernambuco, entre tantas possibilidades aparecem a ideia de projeção enquanto um fazer artístico que, estendendo McLuhan, transforma a superfície/meio em mensagem/massagem. Nesse cenário as plataformas de streaming despontam também como investidoras em salas de cinema - seja de forma direta como com a compra pela Netflix de salas – o Paris (NY) e o Egyptian (LA) –, seja com as querelas envolvendo o lançamento dos filmes para concorrer a prêmio seguindo a lógica das janelas do mercado exibidor, seja ainda de forma remediada nos convencendo que suas produções são ainda cinematográficas.

 

Referências

Barreto, P. (2013). Do cine ao vivo ao cine fantasma [22º Encontro Nacional da Anpap]. Belém, PA, Brasil.

Gunning, T.  Uma estética do espanto: O cinema das origens e o espectador (in)crédulo. (1995). Imagens, (5).

McLuhan, M. (2002). Os meios de comunicação como extensões do homem. Cultrix.

 

 


Palavras-chave


Sala de cinema; Ecologia dos meios; Cinema de atrações.

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