meistudies, 6º Congresso Internacional Media Ecology and Image Studies - A consolidação dos seres media

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Legendagem criativa: um estudo de caso da série She’s gotta have it, de Spike Lee.
Ana Laura Dias, Lucinéa Marcelino Villela

Última alteração: 2023-10-23

Resumo Expandido (Entre 450 e 700 palavras)


A legendagem é considerada uma das modalidades mais antigas de Tradução Audiovisual (TAV), surgindo juntamente com as primeiras inserções dos intertítulos nos filmes mudos. Ao longo das diversas evoluções do cinema e das produções audiovisuais, a legendagem ultrapassou barreiras linguísticas e estéticas. Segundo Díaz Cintas (2005 como citado em McClarty 2012, p. 137),  “a maior flexibilidade proporcionada pelas novas tecnologias [...] deu origem à uma mudança nos estilos de legendagem”, ocasionando em novos tipos de legendas. Esse é o caso da legenda criativa, uma modalidade cada vez mais utilizada em mídias audiovisuais e que se contrapõe aos padrões técnicos tradicionais de legendagem, uma vez que não se restringe às normas estabelecidas para a prática no decorrer dos anos. McClarty explica que as legendas criativas "[...] são o produto da imaginação de diretores e editores e não dos legendadores e são frequentemente usadas para produzir uma certa narrativa ou efeito cômico, ou para interagir com a sonoridade do filme e a mise en scène" (McClarty, 2012, p. 140).

Por esse motivo, a presença da legendagem criativa em grandes produções hollywoodianas tem chamado cada vez mais a atenção para essa prática. Autores como Romero-Fresco (2018) defendem que essa modalidade é uma das ferramentas utilizadas pelos realizadores de cinema para estimularem o envolvimento do público com suas obras cinematográficas, fenômeno que deve ser mantido para audiências estrangeiras, surdas ou cegas. Além disso, esse estilo de legenda não só desafia as normas tradicionais, como também contraria o conceito de invisibilidade do tradutor e a ideia de que as legendas devem ser despercebidas pelos espectadores (Subtitling International UK, 1994, p. 3 como citado em Foerster, 2010, p. 2).

A escassez de pesquisas brasileiras com enfoque exclusivo nesta temática viabilizou a elaboração de nossa investigação, que analisou a tradução de legendas criativas para o português brasileiro, em especial aquelas presentes na série She’s gotta have it (2017), de Spike Lee. Esta obra é distribuída pela plataforma de streaming Netflix e baseia-se no primeiro longa-metragem dirigido por Lee, de mesmo nome. Atualmente, a série é um dos exemplos mais recentes de uso da legendagem criativa, utilizando-as frequentemente no decorrer de toda a 1ª temporada, que é composta de 10 episódios de 30 minutos de duração.

Propomos como objetivo principal neste trabalho verificar se, após o processo tradutório da legendagem do inglês para o português brasileiro, os efeitos da legendagem criativa da série She’s Gotta Have It (2017) foram mantidos, além de analisar comparativamente outros produtos audiovisuais que fazem uso dessa mesma modalidade de legendagem. Foi realizado também um levantamento bibliográfico aprofundado sobre a receptividade da legendagem criativa em produtos audiovisuais, seu impacto perante a compreensão da mensagem idealizada pelo diretor ao público-alvo e a importância da atuação de tradutores durante os diversos processos de produção.

 

Lista de Referências:

Foerster, A. (2010). Towards a creative approach in subtitling: a case study. In New insights into audiovisual translation and media accessibility (pp. 81-98). https://doi.org/10.1163/9789042031817

McClarty, R. (2012). Towards a multidisciplinary approach in creative subtitling. MonTI: Monografías de traducción e interpretación, (Vol. 4, pp. 133-153). https://doi.org/10.6035/MonTI.2012.4.6

Romero-Fresco, P. (2018). Eye tracking, subtitling and accessible filmmaking. In Seeing into screens eye tracking and the moving image, (pp. 235-258). https://doi.org/10.5040/9781501329012.0019


Palavras-chave


Tradução audiovisual; Legendagem Criativa; Spike Lee.

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