meistudies, 6º Congresso Internacional Media Ecology and Image Studies - A consolidação dos seres media

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A REVISTA CAHIERS DU CINÉMA E A RECEPÇÃO CRÍTICA DO GRUPO DZIGA VERTOV
Murilo Bronzeri

Última alteração: 2023-10-09

Resumo Expandido (Entre 450 e 700 palavras)


O Maio de 68 teve diversas implicações no cinema francês, e algumas dessas implicações são percebidas na trajetória da Cahiers du Cinéma, uma revista francesa sobre cinema, criada em 1951 por Jacques Doniol-Valcroze, André Bazin e Lo Duca, e considerada como uma das mais importantes revistas de cinema do mundo. Como demonstra Daniel Fairfax (2021), a política era de extrema importância para a Cahiers no final dos anos 1960 e anos 1970, que se aproximou do PCF (Partido Comunista Francês) entre os anos de 1969 e 1971, quando o PCF estava descreditado por tentar sufocar as greves de Maio de 1968, e depois se aproximou do maoísmo, em 1972 e 1973, quando o movimento pró-China já estava em declínio na França. E, sobre a relação de Godard com a Cahiers, pode-se dizer que o diretor era de fato um ponto de referência constante da revista. Além disso, a evolução política de ambos acontecia de forma, mais ou menos, alinhada.

Porém, entre 1969 e 1971, os laços entre o diretor e a revista se afrouxam devido ao desprezo de Godard pelo alinhamento pró-PCF da Cahiers (Fairfax, 2021, p. 298), e apenas em maio de 1971 a Cahiers volta a falar de Godard e dos filmes do Grupo Dziga Vertov — coletivo criado em 1968 por Jean-Luc Godard e Jean-Pierre Gorin, então editor cultural do Le Monde, que se dissolveu em 1972 — quando Bonitzer (1971, p. 41) publica seu artigo Réalité de la dénotation, afirmando que os filmes do Grupo Dziga Vertov, como Vento do leste e Pravda, ofereciam a possibilidade de abrir o cinema para a cena da economia política. E, na edição de outubro de 1971, pode-se dizer que a amizade entre a revista e Godard volta de fato.

Assim, a pretensão deste artigo é oferecer ao leitor de português um acesso às recentes contribuições que vêm sendo feitas por pesquisadores em outras línguas, principalmente quanto à história da revista durante o período e como ela lidou com os filmes do Grupo Dziga Vertov. É possível que alguém ainda se pergunte qual a importância de retomar a história da Cahiers du Cinéma e do Grupo Dziga Vertov hoje. Primeiramente, os filmes do Grupo Dziga Vertov são obras que demoraram para chegar ao Brasil. Foi só em 2005, com uma mostra no Centro Cultural Banco do Brasil, que os filmes foram exibidos pela primeira vez no país (Almeida, 2005, p. 6). Além disso, o estudo do Grupo Dziga Vertov permite uma compreensão maior de filmes que desafiam as formas narrativas e estéticas tradicionais e que podem inspirar cineastas a explorar novas formas de expressão cinematográfica ao abordar questões pertinentes à realidade brasileira. Esse estudo é também uma forma de fomentar discussões nos países lusófonos sobre filmes que vêm sendo feitos com temas políticos e que retratam acontecimentos recentes e debatem questões sociais.

Referências

Almeida, J. (2005). Grupo Dziga Vertov. Witz.

Bonitzer, P. (1971). “Réalité” de la dénotation. Cahiers du cinéma, 229, 39-41.

Fairfax, D. (2021). The red years of Cahiers du Cinéma (1968-1973): volume I: ideology and politics. Amsterdam University Press.

 


Palavras-chave


Cahiers du Cinéma; Grupo Dziga Vertov; Maio de 68; Jean-Luc Godard.

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