meistudies, 6º Congresso Internacional Media Ecology and Image Studies - A consolidação dos seres media

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A trajetória do autor Walcyr Carrasco: uma experiência melodramática nas telenovelas do horário das 18 horas
Maria Aparecida Borges Limeira, Valquíria Aparecida Passos Kneipp

Última alteração: 2023-10-30

Resumo Expandido (Entre 450 e 700 palavras)


O modo melodramático do autor Walcyr Carrasco no horário das 18 horas é identificado nas histórias e isso o torna um mestre dessa faixa. As telenovelas O cravo e a rosa (2000), Chocolate com pimenta (2003), Alma Gêmea (2005) e Eta mundo bom! (2016) escritas pelo novelista para o horário das 18 horas apresentam semelhanças e diferenças as quais marcam o enredo seja por serem todas de época, pelo uso constante da emoção e sentimento, além do excesso de humor. O presente trabalho tem como objetivo discutir a aplicação do melodrama nas telenovelas do horário das 18 horas do escritor Walcyr Carrasco para observarmos como é executado nessas histórias. A metodologia analisada é o estudo de caso o qual através de uma análise de caráter exploratório identifica-se a execução desse modo de contar na obra do novelista nesse horário específico. Buscou-se responder a questão sobre como o melodrama é adotado pelo autor Walcyr Carrasco para o horário das 18 horas. A fundamentação teórica se baseia nos estudos sobre melodrama de Martin-Barbero (1997), Thomasseau (2012) e Brooks (1991). Dessa forma, os resultados preliminares obtidos apresentam as semelhanças que denotam todas as histórias serem de época. Destacam-se as características morais e ética de cada período. São telenovelas com contextos da década de 1920, em O cravo e a rosa, os anos de 1930 de Chocolate com pimenta, a década seguinte em Alma Gêmea, ou seja, 1940, e 1950 em Eta mundo bom. Essas produções paulatinamente delinearam o modo de contar melodramática através do traço autoral de Walcyr Carrasco no horário das 18 horas. Nesse contexto, as produções apresentam Catarina (O cravo e a rosa), Ana Francisca (Chocolate com pimenta), Serena (Alma Gêmea) e Candinho (Eta mundo bom!) como protagonistas que divergem das regras da época e as direcionam contra o sistema. Todos os personagens possuem justiceiros em todas as tramas, entretanto, o mais identificável é o professor Pancrácio (Marco Nanini) e a jovem Maria (Bianca Bin) uma vez que defendem a vítima representada pelas protagonistas. As personagens que demarcam o traço melodramático de Walcyr Carrasco nos enredos são as vilãs que retratam o perfil do fidalgo malvado (Martin-Barbero, 1997). Marcela (O cravo e a rosa), Olga (Chocolate com pimenta), Cristina (Alma Gêmea) e Sandra (Eta mundo bom) são a epítome da vilania melodramática executando na narrativa o papel de criar ações para retardar as realizações dos protagonistas. Contudo, os elementos que apresentam o modo melodramático do novelista é o estético apresentado pelas personagens em convergência com os diálogos que desnudam estas personagens. Em sua maioria mulheres, possuem pela vestimenta as informações que representam a moral e a ética da época. Marcela, vilã de o cravo e a rosa, apresenta-se na narrativa de maneira distintas a partir de tons marrom, contudo, as marcas de fidalgo malvado são descritas por outros personagens, assim como Olga em chocolate com pimenta. Cristina e Sandra são as representações que exprimem o fidalgo malvado uma vez que a aparência diverge das atitudes de cada uma. Ou seja, o modo de contar melodramático de Walcyr Carrasco apresenta estética versus ações como elemento propulsor para criar a intriga. São personagens loiras que simbolizam o bem moral, contudo, em privado denotam a complexidade humana sob a égide moral de cada época. Walcyr Carrasco também traz consigo nas produções núcleos rurais sob o olhar melodramático que corresponde à dualidade rural e urbana sinalizada nas histórias pelos núcleos de fazenda. Portanto, as telenovelas do horário das 18 horas do autor apresentam o melodrama de maneira mais pura por meio da emoção, agregam telespectadores e permitem críticas da mesma forma que nos séculos anteriores. Essa perspectiva caracteriza o traço do novelista nesse horário, o qual permite identificar o modo de contar melodramático nessas produções específicas.

 

Referências

Brooks, P. (1991). The Melodramatic Imagination – Balzac, Henry James, Melodrama, and the Mode of Excess. En L. Marcia. (Ed.). Imitations of Life – a reader on film & television melodrama. Detroit: Wayne State University Press.

Martin-Barbero, J.(1997). Dos meios às mediações: comunicação, cultura e hegemonia. Rio de Janeiro: Editora UFRJ.

Thomasseau, J. M. (2012). O Melodrama. São Paulo: Perspectiva.

 

 

 

APRESENTAÇÃO


Palavras-chave


Palavra-chave: Telenovela Brasileira; Melodrama; Autores; Walcyr Carrasco

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