meistudies, 6º Congresso Internacional Media Ecology and Image Studies - A consolidação dos seres media

Tamanho da fonte: 
A experiência estética na comunicação dos museus nas redes.
Aline Lisângela da Silva Galvani Carvalho

Última alteração: 2023-10-25

Resumo Expandido (Entre 450 e 700 palavras)


Com a era digital, a midiatização da arte por meio das novas tecnologias, possibilita um acesso amplo e irrestrito a grandes produções e exposições virtuais. Dentro desta perspectiva, os sites de museu de arte representam uma nova linguagem comunicacional. Um novo lugar nas redes, que permite novas formas de recepção e produção de sentidos.

 

Nova linguagem comunicacional museal

O museu é um espaço comunicacional que elabora um modelo de fruição, resultado da poética construída em torno de sua exposição (Roque, 2010). A evolução tecnológica e o surgimento das mídias digitais romperam fronteiras invisíveis, que até então restringiam o público a ter uma maior interação com a arte, como é o caso dos sites de museus virtuais disponíveis nas redes. Algumas plataformas utilizam para o percurso do público virtual uma ferramenta que se assemelha a do GoogleMaps, o Street View (Roque, 2018), já outras, optam por disponibilizar parte de seu acervo com imagens e uma breve descrição sobre suas obras.

Seja pelo celular ou pelo computador, a nova linguagem comunicacional utilizada pelo museu torna possível visitar grandes museus, como o MoMa (Museum of Modern Art) em Nova Iorque, o Museu do Prado em Barcelona, o Museu do Cairo no Egito ou o Museu do Louvre em Paris. Estes e outros museus famosos no mundo, representam uma nova linguagem comunicacional, mais acessível, e com a mesma potencialidade de fruição estética que existe no ambiente físico, como afirma Roque (2018, p. 24), ao dizer que “o recurso a tecnologia faculta uma oportunidade para recuperar a pluralidade dos sentidos e conexões que cada objeto encerra, preservando a autenticidade do original sem prejudicar a sobriedade do espaço físico do museu”.

 

Experiência estética virtual

As vivências e percepções de mundo decorrentes de uma experiência estética representam um espaço fundamental na vida do ser humano (Gadamer, 1997). Um processo subjetivo que já analisado por Dewey (2021). Para este autor, a arte e a experiência estética são fundamentais para formação subjetiva do ser humano, ele diz que “a ciência afirma significados, a arte os expressa”, onde a experiência estética é o ato de aprender a sentir, ao unir valores a sensibilidade para ativar a reflexão (Dewey, 2021, p. 182).

Em tempos digitais, onde a comunicação ocorre com uma maior frequência através das redes, a experiência estética e seu respectivo processo de fruição convida a revisitar antigos conceitos e relacioná-los agora à virtualidade (Barbero, 2004). Neste sentido, Roque (2018, p.25) afirma que “os museus têm vindo a reconhecer a necessidade de incorporar modalidades de interpretação e comunicação interativas e de criar experiências imersivas”.

 

Conclusão

A nova linguagem comunicacional utilizada pelo museu nas redes retrata a preocupação desta instituição social com a humanidade. Em sua maioria, os sites de museus virtuais de arte recriam o ambiente físico ao disponibilizar seu patrimônio cultural, ao promover um discurso expositivo virtual que privilegia o público a ter as mesmas experiências estéticas que teriam presencialmente. Utilizar todo potencial que as novas tecnologias oferecem é valorizar os novos modos de interação e fruição com a arte, para gerar mais conhecimento, e legitimar a ação comunicante do museu nas redes.

 

Referências

Barbero, J. M. (2004). Ofício de Cartógrafo – Travessias latino-americanas da comunicação na cultura. Tradução: Fidelina Gonzáles. Edições Loyola. 209-256.

 

Dewey, J. (2021) A Arte como Experiência. Tradução: Vera Ribeiro. (1ª ed. 3ª reimpressão). Martins Fontes Editora.

 

Gadamer, H. G. (1997). Verdade e Método: Traços Fundamentais de uma Hermenêutica Filosófica. (3ª ed). Editora Vozes.

 

Henriques, R. (2022, 20 set.). Cadernos de Sociomuseologia (vol. 55, nº 12-2018). Os museus Virtuais: Conceitos e Configurações. Disponível em: https://revistas.ulusofona.pt/index.php/cadernosociomuseologia/article/view/6337.

 

Roque, M.I. (2010). Comunicação no museu. In Magalhães, A. M., Bezerra, R. Z., Benchetrit, S. F., Museu Histórico Nacional (Brasil). (2010). Museus e comunicação: Exposições como objeto de estudo. (pp. 45-66). Museu Histórico Nacional.

 

­­­­­__________. (2018). O dilema do museu: Apenas real ou também virtual? In F. Ilharco, P. Hanenberg, M. S, Lopes, Património cultural e transformação digital. (pp. 21-31). Universidade Católica Editora.

 


Palavras-chave


Arte; Comunicação; Experiência Estética

Texto completo:

PDF - pt