meistudies, 6º Congresso Internacional Media Ecology and Image Studies - A consolidação dos seres media

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Inclusão no design: revisão narrativa sobre a perspectiva de inclusão nas investigações do Grupo de Pesquisa
Manuela de Azambuja, Gabriela Simão Dias, Igor Vinícius da Silva Fontes, Tayná Pereira Bueno, Cássia Letícia Carrara Domiciano, Fernanda Henriques

Última alteração: 2023-10-26

Resumo Expandido (Entre 450 e 700 palavras)


O design está ligado ao desenvolvimento de objetos, sistemas e interfaces amplamente utilizados na vida cotidiana para atender as necessidades humanas e – de maneira geral – associa-se com diferentes temáticas sobre as interações entre mundo, ser humano e artefatos. São inúmeros e inevitáveis os impactos do design à civilização humana, pois o campo é capaz de gerar empregos, redes de compartilhamento, estimular o consumo, afetar o meio ambiente, entre outros. Por esse motivo, os projetos e as pesquisas científicas da área necessitam considerar a inclusão e outras implicações sociais, econômicas, políticas e culturais. Dado que incluir significa abranger, inserir, envolver e acrescentar, a inclusão é o conceito que busca a incorporação de pessoas constantemente excluídas nos diversos contextos e sistemas presentes na sociedade. Nos projetos de design, aqueles envolvidos no desenvolvimento influenciam diretamente na exclusão ou inclusão de determinados públicos. Os autores Clarkson, Waller e Cardoso (2015) abordam a capacidade do design em criar possibilidades para englobar o maior número de pessoas – e suas respectivas particularidades – ao longo de um projeto. Em outras palavras, o “design inclusivo” utiliza-se de parâmetros específicos objetivando incluir e atender a diversidade de usuários. Conforme Sassaki (2009), o design inclusivo abrange a reflexão sobre um meio social sem segregação de raça, nacionalidade, gênero, língua, tipo físico, idade etc. Logo, a inclusão abarca as necessidades dos grupos sociais marginalizados, tais como a população LGBTQIA+, pessoas com deficiência, idosos, mulheres, negros e indígenas.

Segundo Petroni, Henriques e Domiciano (2017), o “design gráfico inclusivo” é focado em planejar facilitações entre usuário e informação, i.e., propor formas em que a mensagem do projeto gráfico seja plenamente transmitida e compreendida, consideram-se diversas as possibilidades para desenvolvimento e as necessidades a serem atendidas mediante projetos gráficos (físicos ou digitais). Sob essa perspectiva, em 2014, foi fundado o Grupo de Pesquisa (GP) <omitido para revisão cega>, com o propósito de estudar metodologias inovadoras de pesquisa e projeto, incluindo a contribuição efetiva por meio de ações que respondam à necessidades em design gráfico que contribuam para a informação e comunicação em temas diversos para – e com – diferentes tipos de usuários.

Hoje, o grupo é um espaço interinstitucional e multidisciplinar composto por pesquisadores de formações distintas – das áreas da saúde, comunicação, ciências e ciências sociais aplicadas. E, ao completar dez anos de atuação em 2024, objetiva-se realizar neste estudo um levantamento histórico das pesquisas produzidas desde o princípio até os dias atuais, para investigar a evolução do termo “design [gráfico] inclusivo” e posicionar o núcleo no cenário contemporâneo.

O presente artigo apresenta as atividades e resultados do GP a partir de uma abordagem composta por três etapas: (1) levantamento documental das pesquisas de mestrado e/ou de doutorado realizadas pelo grupo a partir de 2014, objetivando a (2) revisão narrativa do referencial teórico utilizado, especialmente sobre as áreas de design inclusivo e design social e (3) entrevistas semiestruturadas com as fundadoras do grupo.

A contemporaneidade trouxe ao design uma pluralidade que engloba outras gamas, como o design: digital, de informação, sustentável, de comunicação, ativista, de moda, entre outros; ao passo que o campo começa a “[...] incorporar atitudes e desafios políticos e sociais, deixando de lado a fragmentação das áreas e subáreas divisórias em busca de um pensamento projetual mais amplo e consistente [...]” (Moura, 2015, p. 71). A partir dessa premissa, acredita-se que o design inclusivo tem relação direta com a possibilidade de diversidade, pluralidade e dinamicidade, características do design contemporâneo, tanto em projetos e pesquisas científicas quanto na possibilidade de inclusão dos diferentes grupos sociais marginalizados.


Referências

 

Clarkson, P. J., Waller, S., & Cardoso, C. (2015). Approaches to estimating user exclusion. Applied Ergonomics, 46(B), 304–310.


Moura, M. (2015). Design contemporâneo: poéticas da diversidade no cotidiano. En Fiorin,  E., Landim, P. C., & Leote, R. S. (Orgs.), Arte-ciência: processos criativos [online]. (pp. 61–80). Editora UNESP, Cultura Acadêmica, Desafios contemporâneos collection.


Petroni, M., Henriques, F., & Domiciano, C. L. C. (2017). Design sem Barreiras: Discussão-ação em Design Gráfico Inclusivo . En Andrade, A. B. P. et al. (Orgs.), Ensaios em Design: saberes e processos. (pp. 161–201). Canal 6.


Sassaki, Romeu Kazumi. (2009). Inclusão: acessibilidade no lazer, trabalho e educação. Revista Nacional de Reabilitação (Reação), Ano XII(mar./abr.), 10–16.


 


Palavras-chave


Inclusive design; inclusion; scientific research; narrative review

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