meistudies, 6º Congresso Internacional Media Ecology and Image Studies - A consolidação dos seres media

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VIDEOCLIPES EM 360 GRAUS: ESTRUTURAS E MODOS DE FRUIÇÃO
Carlos Henrique Sabino Caldas

Última alteração: 2023-10-17

Resumo Expandido (Entre 450 e 700 palavras)


A presente pesquisa tem como objetivo analisar as estruturas audiovisuais e os modos de fruição de videoclipes interativos em 360 graus, com ênfase na problematização das práticas interacionais. As tecnologias digitais, especialmente a internet, têm impulsionado uma reconfiguração significativa no contexto da produção, consumo e distribuição de conteúdos audiovisuais (Caldas, 2018). As possibilidades de alcance dos videoclipes transcendem agora as limitações dos meios de comunicação tradicionais, uma vez que os dispositivos móveis e as ferramentas interativas propiciam uma participação ativa do receptor (Médola & Caldas, 2014, 2015; Caldas, 2016, 2017, 2018, 2020, 2021). Essa dinâmica reflete o fenômeno conhecido como cultura da convergência, conforme descrito por Henry Jenkins (2008), caracterizado pelo encontro entre mídias novas e tradicionais, permitindo uma maior interação entre a comunicação alternativa e corporativa na esfera midiática. Isso implica na interação entre o poder dos produtores de mídia e o poder dos consumidores.

Nesse contexto, surgiram novas formas de expressão audiovisual, como a tecnologia em 360 graus, amplamente utilizada na produção e consumo de conteúdo contemporâneo. Essa tecnologia proporciona experiências imersivas e interativas, permitindo que os espectadores interajam em um ambiente visual imersivo e explorem novas possibilidades de fruição nos videoclipes. Diante dessas transformações na comunicação audiovisual e nas práticas de fruição do videoclipe, impulsionadas pelas plataformas digitais e tecnologias emergentes, surge a necessidade de um estudo que observe esse fenômeno. O objetivo dessa pesquisa é analisar as estruturas da linguagem audiovisual em 360 graus e investigar os diferentes modos de fruição dos videoclipes nesse formato, especialmente os disponibilizados no YouTube, uma das principais plataformas de compartilhamento de vídeos na atualidade.

O corpus da pesquisa foi construído a partir da coleta da primeira década de videoclipes em 360 graus, com destaque para a obra "Avicii - Waiting For Love (360 Video)" publicada em 2015 no YouTube, realizado por Caldas (2018). A metodologia empregada neste trabalho é qualitativa, por meio da análise dos regimes de interação e sentido (Landowski, 2014). Para a abordagem qualitativa dos modos de fruição dos videoclipes em 360 graus, foram analisados os comentários com maior interação, identificando assim as estratégias enunciativas que constituem os mecanismos de discursivização dos comentários em plataformas hipermidiáticas, utilizando o arcabouço teórico-metodológico da sociossemiótica, com destaque para os regimes de interação.

Como resultados, dos mais de 8 mil comentários analisados, foram identificadas práticas interacionais como comentários de elogio nos regimes da programação, comentários de identificação com o artista no regime da manipulação, comentários de crítica, perguntas sem respostas e aleatórios no regime do acidente, além de comentários com dicas e perguntas e respostas entre os interatores no regime do ajustamento. Essas práticas interacionais identificadas nos comentários dos videoclipes interativos em 360 graus apontam para as possibilidades de identificação de práticas de consumo de audiovisuais que utilizam novas tecnologias. Dessa forma, os produtores, a partir desses estudos de interação, podem desenvolver estratégias de análise de práticas de consumo que influenciem diretamente nos processos de criação e desenvolvimento de novos projetos de publicização e circulação de vídeos e conteúdos em multiplataforma.

 

Referências

 

Caldas, C. H. S. (2016). A produção de sentido no videoclipe interativo: uma abordagem semiótica da construção narrativa da experiência The Johnny Cash Project. Parágrafo: Revista Científica de Comunicação Social da FIAM-FAAM, 4, 249-257.

 

Caldas, C. H. S. (2017). A era dos clipes musicais interativos: a produção de sentido nas práticas interacionais da experiência just a reflektor. Revista Geminis, 8, 68-82.

 

Caldas, C. H. S. (2018). Videoclipe interativo: novas formas expressivas no audiovisual (Tese de doutorado). Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação.

 

Caldas, C. H. S. (2020). Videoclipes interativos: o estado da arte da primeira década (2007-2016). Tropos: Comunicação, Sociedade e Cultura, 9, 1-21.

 

Caldas, C. H. S., Merenciano, L. H., & Feliciano, L. A. (2021). Novas tecnologias e inovações na produção audiovisual: análise sociossemiótica das três experiências interativas do diretor Chris Milk e do programador Aaron Koblin. Temática - Revista eletrônica de publicação mensal, 17, 35-50.

 

Jenkins, H. (2008). Cultura da convergência. Tradução de Suzana Alexandria. São Paulo: Aleph.

 

Landowski, E. (2014). Interações arriscadas. São Paulo: Estação das Letras e Cores.

 

Médola, A. S. L. D., & Caldas, C. H. S. (2014). Videoclipe em ambiente de convergência midiática: regimes de sentido e interação. Comunicação, Mídia e Consumo (Online), 10, 121-141.

 

Médola, A. S. L., & Caldas, C. H. S. (2015). Regimes de interação no videoclipe: a experiência interativa de The Wilderness Downtown. Galáxia (São Paulo. Online), 1, 35-47.

 


Palavras-chave


videoclipe; interatividade; 360 graus, sociossemiótica

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