meistudies, 6º Congresso Internacional Media Ecology and Image Studies - A consolidação dos seres media

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Plataformas de streaming e o (re)empacotamento: os planos de assinatura da GloboPlay
Fabricia Guedes, Marcelo Bolshaw Gomes, Valquíria Aparecida Passos Kneipp

Última alteração: 2023-10-17

Resumo Expandido (Entre 450 e 700 palavras)


A atuação das plataformas de streaming audiovisual é um fenômeno contemporâneo impulsionado principalmente a partir da ampliação da banda larga e do desenvolvimento de CODECs de vídeos[1]. A medida em que o ecossistema audiovisual se torna cada vez mais conectado à internet, a internet aloca esse ecossistema em uma ecologia interconectada (Van Dijck, 2013) e altamente complexa.

Nesse cenário, ao mesmo tempo em que as plataformas de streaming parecem distanciar-se das lógicas tradicionais do mercado audiovisual, há operacionalizações que se assemelham às práticas do “velho” modus operandi. É o caso da revisitação à lógica de empacotamento da TV por assinatura pelas plataformas de streaming. Quando a pioneira do setor de streaming audiovisual, a Netflix, inicia as sua operações, ao assinar o serviço era como se o usuário estivesse “desempacotando” os planos da TV por assinatura e pagando apenas por um canal, ou por um pequeno conjunto de canais, com um preço mais acessível.

No entanto, quando uma multiplicidade de plataformas começa a atuar nesse mercado surge um desafio para os operadores desse setor. Por quantos serviços o cliente/usuário estaria disposto a pagar? É, então, que essas empresas firmam parcerias e ofertam serviços (re)empacotados, ou seja, assinaturas de planos que dão acesso a mais de uma plataforma, como é o caso do nosso objeto empírico, os planos de assinatura da GloboPlay.

Na obra “Televisão é a nova televisão”, Michael Wolff (2015) sinaliza que esses novos agentes do mercado audiovisual estão (re)empacotando o que foi desempacotado. Ao analisar as empresas que investem em audiovisual nas mídias digitais, Wolff (2015) coloca que apesar da oferta de produções à la carte proporcionar um modelo com mais liberdade de escolha ao consumidor, com a variedade de serviços de streaming, há mais opções, porém, mais taxas. Portanto, esse cenário inevitavelmente corrobora para que as plataformas de vídeo sob demanda (VoD) busquem maneiras viáveis de negócio, uma delas é o retorno ao empacotamento, modelo operacionalizado pela TV por assinatura.

Esta pesquisa, portanto, analisa os planos de assinatura disponíveis na plataforma GloboPlay no mês de maio de 2022, somando um total de 16 planos. Inferimos que oferta de pacotes da plataforma estaria revisitando e, assim, reconfigurando práticas de empacotamento da TV por assinatura. Considerando esses arranjos da cadeia produtiva do setor de streaming audiovisual, buscamos compreender, portanto, como a GloboPlay explora a lógica de empacotamento na ambiência do streaming.

Compreendemos, assim, que as operações de desempacotamento e (re)empacotamento têm se alternado à medida que as empresas que investem no streaming audiovisual disputam o mercado e ao mesmo tempo se associam. Essas operações apontam para um mercado flexível e altamente volátil em que padrões oriundos de lógicas capitalistas, já estabelecidos anteriormente pelo setor de mídia, vêm se repetindo. Como Lopes (2013, p.46) sublinha, esse cenário “[...] tornou possível a recuperação de uma certa economia de escala (ainda que agora assentada sobre serviços variados) e, sobretudo, a intensificação de economias de escopo.”

Referências

Lopes, R. S. (2013). A convergência digital e os desatinos do sistema mundo capitalista. In: Carvalho, J. M.; Magnoni, A. F.; Passos, M. Y. (Org.), Economia política da comunicação: digitalização e sociedade. Cultura Acadêmica.

Van Dijck, J. (2013). The culture of connectivity: a critical history of social media. Oxford University Press.

Wolff, M. (2015). Televisão é a nova televisão: um triunfo da velha mídia na era digital. Editora Globo.


[1] Tecnologia de hardware ou software dedicada, principalmente, para comprimir e descomprimir áudio e vídeo digital.


Palavras-chave


Televisão; Streaming; TV por assinatura; (re)Empacotar; GloboPlay.

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