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Televisão pública no Nordeste brasileiro: A implantação das emissoras educativas e universitárias na região
Francisco das Chagas Sales Júnior, Valquíria Aparecida Passos Kneipp

Última alteração: 2023-10-21

Resumo Expandido (Entre 450 e 700 palavras)


A televisão pública foi implantada no Brasil em 1968, a partir da instalação da TV Universitária de Recife. O canal produzia tele aulas, que eram exibidas em escolas públicas e outros pontos instalados pelo estado, voltados para o ensino básico. A partir da inauguração do sinal da TVU pernambucana, também foram implantadas emissoras educativas e universitárias em outros estados do país (Angeiras, 2018).

No Brasil, as primeiras emissoras de televisão foram instaladas por meio da iniciativa privada, a partir de empresários que desejam investir nesse meio de comunicação. O primeiro canal de TV do país, a TV Tupi de São Paulo, por exemplo, pertencia ao grupo Diários Associados, do jornalista Assis Chateaubriand Bandeira de Melo (Mattos, 2010). O que revela um contexto diferente de outros países, como Inglaterra e Itália, onde as produções televisivas surgiram por meio do Estado, com canais públicos (Wolton, 1996).

Nesse contexto, surgiu o questionamento: como se deu o processo de implantação das emissoras públicas na região Nordeste do Brasil? A partir dessa pergunta-chave, também surgiram questões secundárias como: que tipos de emissoras podem ser identificadas no ecossistema televisivo público no país? Qual é o papel que exercem na radiodifusão brasileira?

 

Metodologia

 

Para realizar este estudo foi realizado um estudo de caso (Yin, 2001), que teve o objetivo de identificar as primeiras emissoras públicas instaladas em cada um dos nove estados nordestinos. Para isso, foram realizadas pesquisas bibliográfica (Stumpf, 2012) e análise documental (Moreira, 2012), além de consultas a sites oficiais, portais de notícias e aos arquivos de vídeos das emissoras de TV pesquisadas.

 

Resultados e discussão

 

A televisão pública começa efetivamente no Brasil com a inauguração da TV Universitária de Recife, de Pernambuco, no dia 22 de novembro de 1968. No ano seguinte, surge o segundo canal público de televisão, também instalado no Nordeste do país, a TV Educativa do Maranhão. E em 1972, a região nordestina ganha a terceira emissora educativa, a TV Universitária do Rio Grande do Norte. Nos anos seguintes, os estados do Ceará, Alagoas, Bahia, Sergipe, Piauí e Paraíba também instalaram as primeiras transmissoras de conteúdos educativos (Angeiras, 2018).

A produção de tele aulas contava com a participação direta de técnicos das emissoras educativas e universitária, além de professores e especialistas da área da educação. Por esse motivo, os canais foram criados vinculados a universidades federais ou governo estaduais, por meio das secretarias de educação desses estados (Angeiras, 2018).

A implantação de emissoras públicas, voltadas para a alfabetização, ensino básico e profissionalização, fazia parte do Programa Nacional de Teleducação (Prontel), desenvolvido pelo Governo Federal. A iniciativa buscava reduzir os índices de analfabetismo, com o objetivo de promover o desenvolvimento econômico brasileiro. As bases desse projeto foram estabelecidas a partir da criação de uma legislação sobre a televisão educativa no Brasil, com a criação do Código Brasileiro de Telecomunicação, em 1962, e com a regulamentação da radiodifusão brasileira, por meio do decreto-lei nº 236, de 28 de fevereiro de 1967 (Planalto, 1967).

Portanto, a partir da análise da implantação da televisão pública no Nordeste, verificamos que as emissoras educativas e universitárias fazem parte do ecossistema da comunicação pública, que diz respeito ao “processo comunicativo que se instaura entre o estado, o governo e a sociedade, com o objetivo de informar para a construção da cidadania” (Brandão, 2007, p. 6). Nesse sentido, para Brandão (2007, p. 1), esse tipo de comunicação “abarca uma grande variedade de saberes e atividades e pode-se dizer que é um conceito em processo de construção”.

 

Considerações parciais

 

Ao analisar o processo de instalação das primeiras emissoras públicas na região Nordeste do Brasil, é possível verificar o início de uma diversificação na radiodifusão brasileira, inicialmente ancorada apenas no setor privado. Com o surgimento de emissoras educativas e universitárias, a televisão brasileira passa a contar com conteúdo mais voltados para o interesse público e para a prestação de serviços. O que caracteriza as principais bases do ambiente da Comunicação Pública.

 

Referências:

 

Angeiras, M. C. A. (2018). TVU, canal 11: a primeira TV Educativa do Brasil. Recife: Ed. UFPE.

 

Brandão, E. P. (2007). Conceito de Comunicação Pública. Recuperado de https://fasam.edu.br/wp-content/uploads/2020/07/Historia-da-Comunica%C3%A7%C3%A3o-P%C3%BAblica.pdf

 

Mattos, S. (2010). A história da Televisão Brasileira: uma visão econômica, social e política. Petrópolis: Editora Vozes, 5. Ed. rev. e ampl..

 

Moreira, S. V. (2012). Análise documental como método e como técnica. In: Duarte, J.; Barros, A. (org.). Métodos e técnicas de pesquisa em comunicação. 2. ed. São Paulo: Atlas.

 

Planalto. Decreto-lei nº 236, de 28 de fevereiro de 1967. Recuperado de http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del0236.htm

 

Stumpf, I. R. C. (2012). Pesquisa bibliográfica. In: Duarte, J.; Barros, A. (org.). Métodos e técnicas de pesquisa em comunicação. 2. ed. São Paulo: Atlas.

 

Wolton, D. (1996). Elogio do grande público: uma teoria crítica da televisão. São Paulo: Ática.

Yin, R. K. (2001). Estudo de caso; planejamento e métodos. Porto Alegre: Bookman.


Palavras-chave


Comunicação Pública; TV pública; TV Educativa; TV Universitária; Nordeste.

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