meistudies, 6º Congresso Internacional Media Ecology and Image Studies - A consolidação dos seres media

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NÃO BASTA PARTICIPAR, PRECISA DIVULGAR: o 8 de Janeiro de 2023
CANDIDA EMÍLIA BORGES LEMOS

Última alteração: 2023-10-22

Resumo Expandido (Entre 450 e 700 palavras)


Era uma tarde de domingo típica do verão tropical no bioma Cerrado do planalto central brasileiro. Muito calor e nuvens esparsas. Exatos sete dias antes, naquele mesmo local, na Praça dos Três Poderes de Brasília, desfilava em carro aberto o recém-empossado presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, eleito no pleito realizado em finais de 2022 em polarizada eleição.  A capital brasileira, inaugurada em 1960, concebida pelo urbanista Lúcio Costa e pelo arquiteto Oscar Niemeyer, abriga o imponente Eixo Monumental onde estão a Esplanada dos Ministérios, a Praça dos Três Poderes e a Catedral Metropolitana. Ao meio, está o extenso gramado. São símbolos que personificam a democracia e a divisão dos poderes constitucionais da República. E o gramado que campeia o Eixo é percebido como o espaço do povo, a fonte e a razão de todos os poderes. No dia 8 de Janeiro de 2023, cerca de 5 mil pessoas adentravam a Esplanada. Minutos depois, as emissoras de TV interrompiam suas programações e passaram a filmar a marcha. Fotógrafos dos meios de comunicação tradicionais corriam pelo gramado central. Nas redes sociais, perguntava-se: Será boato que vão invadir o Congresso Nacional? Na multidão, destacavam-se o verde e amarelo dos trajes dos manifestantes e os aparelhos de telefone  acoplados em suas mãos. Havia uma profusão de informações as quais eram de origens difusas, por inter­médio dos dispositivos tecnológicos de mediação simbólica, os aparelhos celulares ou tele móveis.  Nas ações que objetivavam um golpe de Estado para destituir o presidente Lula, protagonistas eram emissores, pois transmitiam fotos e vídeos em tempo real que produziam para seus grupos das redes sociais. Ao mesmo tempo, cinegrafistas e fotógrafos profissionais tinham seus equipamentos de trabalho destruídos pelos golpistas, quando estes invadiram e depredaram o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Palácio do STF. A visibilidade das ações se converteu em sinónimo de autenticidade e imediatismo. Tudo era real, com ares de ficção.

 

Os agrupamentos da ultradireita no Brasil têm crescido desde inicio do novo milênio, sobretudo, em 2013.  A radicalização da extrema-direita no país personifica elementos distintos, como a manipulação de dados por meio dos boatos digitais, as Fake News, difundidos em larga escala nas redes sociais; de estratégicas de ataques digitais massivos contra pessoas e instituições republicanas, tais como o Supremo Tribunal Federal (STF); e da propagação de pautas alinhadas à direita, como a ampliação do uso de armas pelos civis.

Na cobertura, divulgação e interpretação das ações do dia 8 de Janeiro, qual papel  coube à imprensa tradicional? Já não estava em causa noticiar que houve ações golpistas, mas entender o porquê delas o rumo que o país caminharia para o equilíbrio de sua democracia. Ademais, as informações produzidas pelos seres media são fontes de informação aos meios tradicionais? Em qual medida? Serão analisadas as primeiras páginas do dia 10 de janeiro dos seguintes periódicos: o espanhol El País; o estadunidense The Washington Post; o britânico The Guardian; os brasileiros Correio Braziliense, Folha de S. Paulo, O Estado de São Paulo e O Globo, em busca de entender o jornalismo no contexto da profusão de media, da militância virtual e dA pouca veracidade do que circula no submundo digital aos borbotões.


Palavras-chave


narrativa jornalística; extrema-direita; ativismo digital, seres media; visibilidade

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