meistudies, 6º Congresso Internacional Media Ecology and Image Studies - A consolidação dos seres media

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Diversidade e mobilização: posicionamento no site institucional do Movimento de Mulheres Camponesas
Mariana Alarcon Datrino, Carla Negrim Fernandes de Paiva, Isadora da Silva Prestes

Última alteração: 2023-10-18

Resumo Expandido (Entre 450 e 700 palavras)


Pensar a centralidade da comunicação nas estruturas sociais e nas dinâmicas  de trocas entre indivíduos, perpassa, inevitavelmente, por uma visão complexa sobre os atores sociais e como esses se organizam diante dos diferentes cenários de confrontação. Mais do que isso, faz-se necessária a compreensão dos lugares que esses atores ocupam, as lógicas de poder envolvidas e a importância da cidadania — e da própria comunicação —  para balizar as ações coletivas.

Ao encontro disso, destaca-se a importância da diversidade, uma vez que, de acordo com Hanashiro e Carvalho (2005), é permeada por grupos majoritários e minoritários em termos de representatividade no sistema social, formados por membros e indivíduos que, historicamente possuem mais poder (político, econômico...) comparado a membros da sociedade que não possuem tais recursos e representatividade.
Em busca da consolidação do reconhecimento da diversidade (fruto de preconceitos, estigmas e estereótipos socialmente construídos), indivíduos assumem uma posição participativa perante às questões públicas e ao Estado para que direitos de cunho civil, político, social e cultural que compõem a cidadania sejam garantidos a membros historicamente menos representados nessas esferas.

Essa participação, enquanto uma ação social coletiva, pode se constituir com uma série de características, envolvendo estratégias de ação, sua organização, os laços e identidades compartilhadas e um projeto de sociedade que levam os atores sociais a atuarem ativamente (Luvizotto, 2016). Entre esses atores, têm-se os movimentos sociais que podem ser definidos como “ações sociais coletivas de caráter sociopolítico e cultural que viabilizam formas distintas de a população se organizar e expressar suas demandas” (Gohn, 2011, p. 335).

Assim, a efetivação de movimentos sociais está intimamente ligada à comunicação e a divulgação de seus ideais e pensamentos, estando, intrinsecamente, relacionados com fenômenos de comunicação. Além disso, envolve a construção de um posicionamento diante do cenário social que “indica uma opção por determinadas associações e não por outras” (Telles, 2004, pp. 134-135).

Afinal, um posicionamento claro pode ajudar a mobilizar outras pessoas em torno de uma causa e a construir alianças estratégicas entre diferentes grupos, ampliando a visibilidade de ações de mobilização e até mesmo de participação ativa em ações de movimentos sociais, contribuindo para o exercício da cidadania buscando constituir ou modificar a sociedade (Bordenave, 1983).

Deste modo, esse estudo tem por objetivo compreender o posicionamento de movimentos sociais nas dinâmicas de mobilização em prol da diversidade. Especificamente, espera-se compreender o posicionamento e as pautas acerca da diversidade sinalizadas pelo Movimento de Mulheres Camponesas (MMC) através de seu site institucional e como sua comunicação volta-se para propor a mobilização enquanto uma forma de participação.

É relevante destacar que a escolha deste movimento foi pautada em quatro critérios identificados e que vão ao encontro do que se espera investigar neste artigo. Sendo eles:


  1. Construção histórica com base em outros movimentos sociais.

  2. Amplitude nacional

  3. Longo tempo de existência

  4. Embora direcione seus esforços para a luta das mulheres, entende-se que esse é um grupo heterogêneo, sendo, justamente, essa diversidade a direcionadora da militância, segundo o site oficial.

Para atingir os objetivos propostos, foram realizados levantamentos bibliográficos e de pesquisa exploratória. São destacados nesta etapa os elementos que compõem o ambiente digital institucional e que demonstram como o sujeito de pesquisa se guia e deseja ser visto. Além disso, as discussões perpassam por temas relativos à diversidade e dinâmicas de mobilização envolvidas neste processo, posicionamento institucional e a apresentação do objeto de estudo.

Quanto à análise do site institucional do Movimento de Mulheres Camponesas, o foco foi apontar os processos comunicacionais envolvidos, como se posicionam e como se organizam no espaço digital. Percebeu-se, desta maneira, o quanto a militância proposta está associada à busca de uma sociedade mais diversa, igualitária e segura para as mulheres — no seu aspecto mais plural — inserindo nessas pautas discussões que vão além das questões de gênero, articulando uma visão complexa da realidade vivenciada.

Deste modo, através da abordagem proposta, espera-se contribuir para o conhecimento sobre a importância do posicionamento institucional de movimentos sociais e a centralidade dos espaços digitais para reunir interesses e mobilizar pautas coletivas e, consequentemente, para a transformação da sociedade. Desta maneira, a reflexão espera impactar não somente a área da comunicação, mas também o próprio fazer comunicacional da sociedade civil organizada.



Referências

Bordenave, J. E. D. (1983). O que é participação? 6 ed. São Paulo: Brasiliense, 1983.

Gohn, M. G. (2011) Movimentos sociais na contemporaneidade. Revista Brasileira de Educação. 16(47), p. 333-361.

Hanashiro, D. M. M.; Carvalho, S. G. (2005). Diversidade cultural: panorama atual e reflexões para a realidade brasileira. REAd - Revista Eletrônica de Administração, Porto Alegre, 11(5), p. 1-21.


Luvizotto, C. K. (2016). Cidadania, ativismo e participação na internet: experiências brasileiras. Comunicação e Sociedade, 30, p. 297-312.


Telles, R. (2004). Posicionamento e reposicionamento de marca: uma perspectiva estratégica e operacional dos desafios e riscos. Tese de Doutorado, Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade, Universidade de São Paulo, São Paulo. doi:10.11606/T.12.2004.tde-11102004-212323. Recuperado em 2023-05-04, de www.teses.usp.br.



Palavras-chave


Diversidade; Mobilização; Movimentos Sociais; Comunicação Digital; Movimento de Mulheres Camponesas.

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