meistudies, 6º Congresso Internacional Media Ecology and Image Studies - A consolidação dos seres media

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TROLLS SONHAM COM MULHERES NO PODER? UMA ABORDAGEM DO TROLLING DE GÊNERO COMO VIOLÊNCIA POLÍTICA
Teresa Piñeiro Otero, Xabier Martínez-Rolán, Laura M. Castro Souto

Última alteração: 2023-10-22

Resumo Expandido (Entre 450 e 700 palavras)


Nesta sociedade pós-pandemia as redes sociais desempenham um papel essencial. O alto volume de acesso e interações nas plataformas online, juntamente com sua intensidade, torna-as os principais espaços de socialização, conferindo a seus conteúdos e relações um caráter performativo. Segundo Molpeceras e Filardo-Lamas (2020), as mídias sociais são reflexo e construção das percepções sociais, o que tem gerado novos mecanismos de transmissão com diversas funções sociais e comunicativas.

Um exemplo representativo desse fenômeno é o chamado "feminismo hashtag" (Dixon, 2014) que se apropria dessas etiquetas ressemantizadas, características da linguagem-forma do Twitter, para visibilizar a discriminação e o abuso baseados em sexo-gênero.

No entanto, apesar desse potencial transformador das redes sociais e suas oportunidades de interconexão e influência transnacional, o ambiente online é um produto que resulta das relações sociais que o produzem e utilizam, e, portanto, uma projeção da ordem patriarcal (Wajcman 2006).

No ambiente virtual, as mulheres frequentemente enfrentam experiências negativas impensáveis no caso dos no caso dos homens. Em uma pesquisa sobre discurso de ódio contra mulheres no Twitter (Piñeiro-Otero e Martínez-Rolán, 2021) concluímos que um 15% das interações incluíam termos odiosos, com maior incidência no caso de mulheres jornalistas e políticas pela sua projeção pública e seu papel essencial nas sociedades contemporâneas.

Nesse sentido, o ódio sexista e misógino nas redes sociais possui um componente coercitivo que se manifesta por meio de estratégias de assédio ou intimidação, algumas extremamente prejudiciais, como o chamado "gender trolling" (Mantilla, 2013).

 

e-Violência contra mulheres em política

 

A hostilidade contra as mulheres políticas nas redes sociais tem aumentado, afetando suas práticas e experiências nessas plataformas (Espósito, 2021).

Estudos, como os de Tromble e Koole (2020), destacaram o sexismo diário que as políticas enfrentam na esfera digital, um sexismo que geralmente se manifesta de forma hostil, por meio de comportamentos agressivos, incivilizados, de misoginia e discurso de ódio contra as mulheres representantes e líderes políticas, inclusive como alvo do ódio direcionado ao partido, ideologia e governo aos quais pertencem. Essa hostilidade contra as mulheres políticas tem sido analisada como parte de um backlash antifeminista, caracterizado por sua extrema misoginia e reatividade, além de ser mais propenso a ataques pessoais (Bonet-Martí, 2020).

Nesse sentido, as assimetrias na comunicação das mulheres políticas devem ser entendidas dentro do contexto da luta pelo poder, na qual convergem ideologias de ódio, misoginia e narrativas falsas com o objetivo de intimidar, silenciar e até mesmo expulsar as mulheres políticas do ambiente virtual.

Esses ataques também representam uma diminuição do pluralismo de vozes e o silenciamento de determinados temas e abordagens necessários nas sociedades democráticas, especialmente considerando que as redes sociais permitem que essas líderes-representantes contornem as limitações impostas pelos meios tradicionais.

 

Objeto

Se, como menciona Hanhardt (2013), a busca por segurança coletiva requer uma análise aprofundada sobre quem ou o quê constitui uma ameaça e por quê. Nesse sentido, identificar as práticas que transformam a esfera do Twitter em um ambiente tóxico para as mulheres no âmbito político é o primeiro passo para revertê-las. Nesse sentido, a comunicação aqui apresentada busca afundar nas práticas comuns de violência digital contra mulheres na política, a fim de desvendar os mecanismos, as relações de poder e os perpetradores envolvidos. Para isso, foi selecionada uma amostra de políticos e políticas espanholas com grande presença no Twitter.

Este texto faz parte do projeto 'Asimetrías de género en la comunicación política digital. Prácticas, estructuras de poder y violencias en la tuitesfera española”, financiado pelo Instituto de las Mujeres, Ministerio de Igualdad, Gobierno de España.

Referências

Bonet-Martí, J. (2020). Análisis de las estrategias discursivas empleadas en la construcción de discurso antifeminista en redes sociales. Psicoperspectivas. Individuo y sociedad, 19 (3), 52-63.

Dixon, K. (2014). Feminist online identity: Analyzing the presence of hashtag feminism. Journal of Arts and Humanities, 3 (7), 34-40.

Esposito, E. (2021). Introduction: Critical Perspectives on Gender, Politics and Violence. Journal of Language Aggression and Conflict, 9(1): 1-20.

Hanhardt, C. (2013). Safe Space: Gay Neighborhood History and the Politics of Violence. Duke University.

Mantilla, K. (2013). Gendertrolling: Misogyny Adapts to New Media. Feminist Studies, 39 (2). https://www.jstor.org/stable/23719068

Molpeceras, S. & Filardo-Lamas, L. (2020). Llamamientos feministas en Twitter: ideología, identidad colectiva y reenmarcado de símbolos en la huelga del 8M y la manifestación contra la sentencia de 'La Manada'. Dígitos. Revista de Comunicación Digital, 6: 55-78

Piñeiro-Otero, T., & Martínez-Rolán, X. (2021). Eso no me lo dices en la calle. Análisis del discurso del odio contra las mujeres en Twitter.  Profesional de la información, 30(5). https://doi.org/10.3145/epi.2021.sep.02

Tromble, R., & Koole, K. (2020). She belongs in the kitchen, not in Congress? Political engagement and sexism on Twitter. Journal of Applied Journalism & Media Studies, 9(2), 191-214.

Wajcman, J. (2006). Tecnofeminismo. Ediciones Cátedra.


Palavras-chave


Gender studies; Feminism; violencias digitais,;

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