meistudies, 6º Congresso Internacional Media Ecology and Image Studies - A consolidação dos seres media

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Novelas verticais: A análise de uma cadeia de produção coletiva no Tik Tok
Aloísio Corrêa de Araújo, Vicente Gosciola

Última alteração: 2023-10-22

Resumo Expandido (Entre 450 e 700 palavras)


O 4G, os celulares mais potentes, as câmeras com maior definição e o uso de novos aplicativos de edição tornaram o gigantesco aplicativo TikTok, desenvolvido na China, em um grande produtor de vídeos, filmes e outros formatos. O app chega a preocupar as big techs estadunidenses e o próprio governo do país, por sediar sua base de dados fora dos Estados Unidos. O TikTok se torna uma espécie de estúdio de vídeos, tomando uma considerável fatia de espectadores-realizadores.

O acesso das pessoas a chips mais potentes e recursos facilitados para o usuário comum, movimenta a produção de imagens de uma espécie de pré-cinema (Machado, 1997), que envolve desde vídeos de um plano em sua maioria, a narrativas mais complexas envolvendo novos recursos como edição, efeitos especiais, filtros de rosto e trilha musical. Contudo, é facilmente observável em trends e hashtags a pasteurização de narrativas, com repetições de um mesmo tema, que poderiam denotar algum tipo de movimento estético que ocorreria dentro do app do TikTok.

A produção de imagens massificadas continua sendo a regra, e embora haja a liberdade para o espectador-produtor produzi-las, para o aplicativo há o recurso da moderação, que envolve impulsionar ou não determinados tipos de imagens. Como funciona essa cadeia produtiva?

A partir de uma análise de pequenas novelas produzidas por usuários do TikTok, e pelas suas escolhas visuais, sonoras e narrativas, será investigada a possibilidade de evidenciar movimentos estéticos (se é que são) provocados pelo algoritmo do aplicativo. Quais são os modificadores que influenciam estas narrativas? Como funciona a interação entre executivos, donos de aplicativos, marcas, trends, cultura, localização, ruídos culturais, edição por aplicativos externos, como o capcut e diversos aplicativos de filtros?

Compreender a estrutura vertical, do executivo, ao desenvolvedor, chegando no realizador-espectador, pode bater no dilema da impossibilidade do acesso aos dados e pesquisas coletadas pelo aplicativo, que são restritos. A proposta deste trabalho vislumbra um desenho de uma metodologia para compreender o funcionamento desta cadeia criativa, obscurecida pelas bases de dados privadas e planejamentos mercadológicos, que produzem uma gigantesca árvore de curadoria personalizada, que poderia ditar cada estética vigente no aplicativo, envolvendo uma série de atores humanos e não-humanos, um caminho que pendula entre o estético e o estrutural.

É preciso assumir parte da imprecisão das amostras, e concentrar a pesquisa em parte da interação do usuário com o TikTok, que responde com updates, novos recursos e efeitos especiais, uma relação que vai de interpretar o aplicativo como uma caixa de ferramentas a vê-lo de uma perspectiva tecnoanimista.

O trabalho buscará responder ou refletir sobre algumas perguntas: Seria possível especular quais são as movimentações estéticas dos usuários? Até que ponto há o livre desenvolvimento de imagens e narrativas visuais? Seria possível pensar em uma localização virtual, ou uma nova maneira de enxergar movimentos estéticos?

 

Arielli, E. (2021). Techno-animism and the Pygmalion effect. In L. Manovich & E. Arielli. (2022), Artificial Aesthetics: A Critical Guide to AI, Media and Design (pp. 4-28). Software Studies Initiative.

Latour, B. (1994). Jamais fomos modernos. Editora 34.

Machado, A. (1997). Pré-cinemas & pós cinemas. Papirus Editora.

Wu, T. (2019). Blind Spot: The attention economy and the law. Antitrust law journal, n. 3.


Palavras-chave


Tik Tok; tecnoanimismo; teoria ator rede;

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