meistudies, 6º Congresso Internacional Media Ecology and Image Studies - A consolidação dos seres media

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DO IMPRESSO NAS BANCAS ÀS NUVENS DA WEB A RELAÇÃO DO GÊNERO CRÔNICA COM OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO NO BRASIL
Marco Aurelio Reis, Claudia de Albuquerque Thomé

Última alteração: 2023-10-25

Resumo Expandido (Entre 450 e 700 palavras)


Contemporaneamente a crônica é um gênero textual da literatura e do jornalismo brasileiros bastante presente na web. Escritores e jornalistas têm utilizado essa interface para compartilhar suas reflexões, observações e histórias do cotidiano de forma mais acessível e imediata. Na web, as crônicas são publicadas em diversas frentes, como blogs pessoais, sites de notícias, portais literários e até mesmo nas redes sociais digitais. Alguns autores têm seus próprios espaços virtuais, onde publicam regularmente suas crônicas, estabelecendo um vínculo direto com seus leitores.

Há também sites e comunidades online dedicados exclusivamente à publicação de crônicas. Essas plataformas permitem que criadores amadores ou desconhecidos tenham a oportunidade de divulgar seu trabalho e alcançar um público interessado. A web oferece uma grande variedade de possibilidades para a produção e leitura de crônicas. Os leitores podem acompanhar seus cronistas favoritos, explorar novos escritos, comentar e compartilhar as crônicas que mais gostam. Essa interação entre escritores e leitores enriquece o gênero e contribui para sua continuidade e evolução na era digital.

Essa flexibilidade do gênero se deve ao fato de que uma das características marcantes da crônica no Brasil é a sua linguagem informal e coloquial. Os textos geralmente são escritos em primeira pessoa, em uma sujetividade que cria uma proximidade maior com o leitor e permite que o autor expresse suas opiniões de maneira pessoal. Além disso, a crônica na web também se beneficia da possibilidade de utilizar recursos multimídia, como fotos, vídeos, áudios e links, enriquecendo a experiência do leitor. Na web, a crônica também ganha uma dinâmica diferente em relação à crônica tradicional na cadeia tradicional dos meios de comunicação. Enquanto nas mídias impressas e analógicas a crônica é publicada em edições periódicas, na web os autores podem publicar suas crônicas a qualquer momento, sem a limitação do espaço físico. Isso proporciona uma maior liberdade criativa e flexibilidade de temas, permitindo abordar assuntos atuais e relevantes de forma rápida e direta.

Além disso, a interação entre autor e leitor é facilitada na web, por meio de comentários, compartilhamentos e curtidas. Isso possibilita um feedback imediato, estabelecendo um diálogo entre autor e leitor que pode enriquecer ainda mais a experiência da leitura da crônica. Em resumo, a crônica na web é um gênero textual presente e em constante evolução. Afinal, a crônica que chega à web é aquela que nasce em jornais brasileiros no século XIX: o texto inaugural com tais característica, de acordo com Afrânio Coutinho (1971, p. 112), é  crônica  publicada por Francisco Otaviano de Almeida Rosa (1825-1889) no Jornal do Commércio do Rio de Janeiro, na edição de 2 dezembro 1852. É a mesma crônica que posteriormente, já no século XX,  é publicada na forma de coletâneas em livros, migra para o rádio e chega à televisão em diversas tipologias, do simplesmente lido ao encenado.

Portanto, a proposta do presente artigo, derivado de duas  pesquisas de doutorado em Letras pela UFRJ,  é traçar a relação da crônica com os meios de comunicação, passando dos jornais às emissoras de rádio,  a chamada “Literatura de Ouvido” (Thomé, 2015). Dessas para as emissoras de televisão, no formato “Videoteratura” (Távola, 1981 e Reis & Thomé, 2020) e desse meio para a Internet, na liberdade espacial e de publicação que lhe  permite levar e tratar do “Cotidiano nas Nuvens” (Reis, 2015).

Usando a metodologia “Estudo de Caso” (Yin, 2001) e como procedimento metodológico   a proposta de análise do cronismo na televisão intitulada “Videoteratura” (Reis & Thomé, 2017), busca-se contribuir para história do jornalismo e da literatura brasileira, bem como para os estudos do gênero textual crônica, já chamada de “a cidade feito letra” (Portella, 1958) e de “literatura ao rés do chão” (Candido, 1980) por sua relação com o espaço urbano e sua simplicidade encantadora.


Candido, A.(1980). A Vida ao Rés-do-chão. São Paulo, Ática, p. 7-13.

Coutinho, A. (1971). A literatura no Brasil. 2. ed. Rio de Janeiro, Editorial Sul Americana.

Portella, E. (1958). A cidade e a letra. In: E. PORTELLA, Dimensões I. Rio de Janeiro, José Olympio, p. 111-117.

Reis, M. A., & Thomé, C. (2017). Videoteratura - Uma proposta de análise do cronismo na televisão. Linguagens – Revista de Letras, Artes e Comunicação, 11(3), 564-585.

Reis, M. (2015). O Subúrbio feito Letra: o cotidiano da periferia em crônicas ácidas e carnavalizadas. Tese (doutorado).

Távola, A. (1981). A crônica na televisão: de Rubem ao Saltimbanco. Jornal O Globo.

Thomé, C. (2015). Literatura de ouvido: crônicas do cotidiano pelas ondas do rádio. Curitiba: Appris.

Thomé, C., & Reis, M. (2020). Videoteratura como estratégia do telejornalismo: um olhar epistemológico sobre produtos das emissoras TV Globo e Globonews. Em Marta; PASSOS, Mateus Yuri (Orgs). Narrativas midiáticas contemporâneas: epistemologias dissidentes . Catarse.

Yin, R. K. (2001). Estudo de caso: planejamento e métodos. 2. ed. Porto Alegre: Brookman.



Palavras-chave


Crônica; Jornalismo; Jornal, Rádio, TV; Web

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