meistudies, 6º Congresso Internacional Media Ecology and Image Studies - A consolidação dos seres media

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COBERTURA JORNALÍSTICA SOBRE O GENOCÍDIO INDÍGENA YANOMAMI PELA AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DIGITAIS “AMAZÔNIA REAL”
Ingrid Gomes Bassi, Antônio Luiz Ferreira Sousa Filho

Última alteração: 2023-10-18

Resumo Expandido (Entre 450 e 700 palavras)


O artigo propõe pesquisar o estilo de jornalismo praticado pelo site “Agência Amazônia Real” a partir da metodologia de análise de conteúdo as reportagens publicadas no veículo, no período de outubro de 2022 à março de 2023 sobre o contexto do genocídio indígena yanomami. A questão de pesquisa central é problematizar a cobertura da Agência como reportagens de investigação e denúncia no período anterior à cobertura nacional e internacional pelas mídias tradicionais que se concentraram entre janeiro e fevereiro de 2023. Dentre algumas técnicas jornalísticas, a investigação valida as categorias do uso de fontes primárias na apuração das notícias, fatores centrais que contribuem para refletir e analisar como a temática na Agência é desenvolvida e como pode ser observada ao leitor/internauta na prospecção crítica e na factualidade sobre o genocídio indígena yanomami, na região amazônica.

Para saber, a Agência de Notícias “Amazônia Real” é um veículo de comunicação independente, financeiramente mantida por recursos da Fundação Ford e, recentemente, pela Aliança pelo Clima e Uso da Terra (CLUA), além de outros parceiros. Pela característica de independência e da temática central ligar-se à crítica social e à investigação sobre o descaso com o meio ambiente na região amazônica, o artigo justifica-se pela abordagem jornalística pioneira sobre a Agência Amazônia Real, além da fundamentação teórica diferenciada que se pretende construir, a partir do jornalismo especializado em Meio Ambiente e Mudança Social na Amazônia brasileira.

Neste artigo, a amostragem foi analisar as reportagens entre os meses de outubro de 2022 à março de 2023. Os conceitos da análise de conteúdo (AC) foram embasados nas teorias de Klaus Krippendorff (1990) e Fonseca Júnior (2015). Para o referencial teórico foram utilizados os autores: Ailton Krenak (2020), Ana Flávia Feldmann (2015), Ingrid Gomes Bassi (2019, 2020), João Carlos Correia (2012) e Pierre Clastres (2014).

Para Klaus Krippendorff (1990) o método da análise de conteúdo se divide em cinco procedimentos básicos: “[...] os dados, tal como se comunicam o analista; o contexto dos dados; a forma pela qual o conhecimento do analista o obriga a dividir e explicar sua realidade; o objetivo da análise de conteúdo; a inferência como tarefa intelectual básica e a validez como critério de eficiência” (Krippendorff, 1990, p.36, tradução nossa).

Das regras da AC ressalta-se para o presente estudo expor: o corpus como o conteúdo jornalístico no período dos seis meses (outubro de 2022 à março de 2023); as unidades de registro – são partes importantes de uma unidade de amostragem – no caso, as reportagens sobre o genocídio indígena yanomami. Nessa lógica de codificação foram definidas as categorias de análise (Fonseca Júnior, 2015, p.294-5).

Dessas categorias levam-se em conta as características de produtividade, pertinência, exclusão mútua, homogeneidade e objetividade (Fonseca Júnior, 2015, p.298), portanto se definiu em: Fontes de pesquisa – que se subdivide em fontes primárias, fontes testemunhais, fontes secundárias, fontes de especialistas, fontes de dados e outras; Natureza do texto: narrativo, descritivo, interpretativo e dissertativo; Investigação: Denúncia, Explicativa e Informativa; Temas: Meio Ambiente, Política, Questão Agrária, Povos Indígenas e Cultura. Além de outras categorias a serem desenvolvidas na demanda das análises.

Contudo foi verificado que diante às notícias e reportagens trazidas pela Agência Amazônia Real a investigação jornalística já indicava problemas de invasão pelo garimpo ilegal no território yanomami na Amazônia Legal, e denúncias de estupros, e outros crimes e violências contra o povo indígena, mesmo antes do marco de relevância pelos meios de comunicação tradicional no país, entre os meses de janeiro e fevereiro de 2013. Além do aprofundamento do texto jornalístico por meio de reportagens e notícias interpretativas em que foram entrevistas fontes primárias e oficiais referentes aos líderes comunitários de associações locais e indígenas.


Palavras-chave


Amazônia Real; Jornalismo; Genocídio Indígena Yanomami; Crítica social

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