meistudies, 6º Congresso Internacional Media Ecology and Image Studies - A consolidação dos seres media

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As mediações na fruição cinematográfica digital
Heloísa Castilho Fernandes

Última alteração: 2023-10-25

Resumo Expandido (Entre 450 e 700 palavras)


Este trabalho propõe uma reflexão sobre as diversas mediações presentes no processo de produção de sentido e fruição de obras cinematográficas na sociedade midiatizada.  As novidades tecnológicas possibilitaram mudanças que otimizaram a comercialização de obras cinematográficas, como as plataformas digitais e consequentemente, a fruição cinematográfica e a cultura fílmica foram transportadas para o meio digital e não permanecem centradas nas salas físicas de cinemas. Ao considerar a fruição estética como uma combinação das referências pessoais do espectador com as referências e elementos da obra, notamos que a produção de sentido está ligada também à partilha destes efeitos. A experiência estética está relacionada com os afetos envolvidos na fruição da obra, trabalhados de maneira profunda, e não apenas como conexões emocionais superficiais momentâneas, e é desenvolvida através de um processo de expressão e comunicação da experiência vivida de maneira interacional, portanto, faz-se complexa e não limita-se àquilo que o sujeito da fruição sente, está relacionada também com a sua formação sociocultural, segundo Braga (2010). De acordo com Orozco (2005), é possível organizar as mediações  em categorias cognitivas, situacionais, institucionais e, por fim, as mediações de referência, juntamente com as mediações, é necessário levar em conta a midiatização da sociedade e como ela age simultaneamente na produção de conteúdos e na fruição do espectador. Neste contexto, é válido refletir sobre a fruição digital através das mediações comunicativas da cultura, conforme teorizado por Martín-Barbero (2004), uma combinação entre as mediações e os efeitos da midiatização, em que as diversas mídias estabelecem as conexões sociais e culturais, envolvendo relações de relacionamento, trabalho e artes, e engloba a sociedade e também todas suas questões de produção e consumo cultural. Ao assistir um filme, a interpretação e leitura de seus elementos não está concretizada na obra e nas expressões de seu realizador, mas é construída através da experiência estética, em que o espectador relaciona suas referências pessoais e culturais - e também os afetos atingidos naquele momento - com as questões exibidas, produzindo os sentidos da obra. É válido citar também que a recepção não é concretizada apenas em determinado momento temporal ou físico, a interação com a mídia é contínua, através de redes sociais, transmídias e conexões de comunicação. O processo de interpretação também está presente na fruição, na produção de vídeos e textos explicativos sobre filmes, e construção de sentidos através de críticas, reflexões e produções de fãs. A fruição digital possibilitou também mudanças no consumo, promovendo conexões entre diversos nichos de interesse, promovendo novos alcances e oportunidades para assistir filmes em diversos lugares e horários, uma fruição não mais submetida a geografia ou temporalidades de lançamentos e exibições presenciais. Considerando o papel de atuação comercial político de ideias, na distribuição cinematográfica é realizado um recorte daquilo que pode tornar-se visível e quais tipos de discursos e narrativas possuem validação e apreciação no âmbito social, estabelecendo sua participação no imaginário da população, e excluindo as obras que não são consideradas válidas para o circuito comercial, relegadas ao esquecimento e espaços marginalizados (Sodré, 2006). É possível concluir, portanto, que as mudanças digitais, juntamente com as questões de mediações e midiatização, exercem influência não apenas sobre o sujeito da fruição e espectador de filmes, mas também sobre o mercado de distribuição digital e sobre a própria recepção cinematográfica de determinados circuitos comerciais.

Referências Bibliográficas

Braga, J. L. (2010). Experiência estética & mediatização. In: Leal, Bruno S.; Mendonça, Carlos C.; Guimarães, César. (Orgs.), Entre o sensível e o comunicacional (pp. 73-87). Autêntica Editora.

Martín-Barbero, J. (2004). Ofício de Cartógrafo – Travessias latino-americanas da comunicação na cultura. Coleção Comunicação Contemporânea 3, Edições Loyola.

Orozco, G. (2005). O telespectador frente à televisão: uma exploração do processo de recepção televisiva. In: Communicare, v.5, n.1, jun (pp. 27-42). Cásper Líbero.

Sodré, M. (2006). As estratégias sensíveis: afeto, mídia e política. Vozes.

 

 

 

APRESENTAÇÃO


Palavras-chave


Mediações; Fruição; Cinema; Distribuição digital

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