meistudies, 6º Congresso Internacional Media Ecology and Image Studies - A consolidação dos seres media

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JORNALISTAS CHECADORES DE FATOS E MUDANÇA DE HÁBITOS: DESCOBERTAS INICIAIS
Marina Aparecida Sad Albuquerque de Carvalho

Última alteração: 2023-10-17

Resumo Expandido (Entre 450 e 700 palavras)


O artigo pretende apresentar os resultados de análises dos conteúdos publicados pelas agências Lupa e Aos Fatos[1] na tentativa de descobrir em que medida o confronto entre a circulação de desinformação durante a pandemia de COVID-19 e os procedimentos de verificação podem conduzir a mudanças nos processos interpretativos de jornalistas checadores de fatos, ampliando suas capacidades críticas. Por meio da análise, verificaremos se os conteúdos consideram ou não a origem da informação (robótica ou humana), em que medida os diferentes aspectos qualitativos dos signos podem indicar diferentes origens e, consequentemente, impactar o processo perceptivo dos jornalistas checadores. Identificaremos, também, a presença dos valores-notícia e de critérios comerciais e políticos e como os diferentes tipos de signos desencadeiam objetos imediatos na mente desses jornalistas para representação dos objetos dinâmicos (CP 4.536). Por fim, avaliaremos a predominância de interpretantes emocionais, energéticos ou lógicos (CP 4.536, CP 5.475), tendo em vista que a mudança de hábito, conforme proposta de Charles S. Peirce, é possível a partir do desenvolvimento de interpretantes lógicos (CP 5.476).

Os resultados a serem apresentados são parte de uma pesquisa que busca compreender se os processos sígnicos envolvidos nas atividades de verificação promovem mudança de hábitos (Bergman, 2016; Houser, 2016, Nöth, 2016; Pimenta, 2016; Santaella, 2016) nos jornalistas que praticam tais atividades. A hipótese do estudo é de que, no confronto entre desinformação e verificação, ocorrem limitações que impedem um aperfeiçoamento consistente da capacidade crítica dos jornalistas. A partir dela, propomos três sub-hipóteses, de acordo com as categorias fenomenológicas de Peirce (CP 1.2801, 5.121) – Primeiridade, Secundidade e Terceiridade (CP 1.25, 1.35, 5.66, 1.536-537). Em relação à primeira sub-hipótese, suspeitamos que a falta de transparência sobre a origem da desinformação, se robótica ou humana, impacta os processos de verificação, dificultando o processo perceptivo dos jornalistas em relação à própria constituição qualitativa das notícias.

Na segunda sub-hipótese, observamos que o confronto entre a insistência da dinâmica dos fatos em se ver representada e o “empacotamento” de notícias, articulado aos interesses comerciais e políticos das empresas de verificação, gera conflitos nos processos interpretativos dos jornalistas sobre a relação entre fatos e notícias. Na última sub-hipótese, levantamos que a influência da robótica e das condições de trabalho nos procedimentos de checagem limitam possíveis mudanças nos hábitos mentais nos profissionais verificadores, no sentido de ampliar capacidades críticas.


[1] Lupa e Aos Fatos foram as primeiras iniciativas de checagem de fatos no Brasil, são dedicados exclusivamente à verificação de fatos e não estão inseridos em redações de outras empresas jornalísticas. São, ainda, signatárias verificadas do código de princípios da Rede Internacional de Checagem de Fatos (International Fact-Checking Network - IFCN) e colaboraram com a “Aliança #CoronaVirusFatos” (#CoronaVirusFacts Alliance), iniciativa da IFCN.


Palavras-chave


Pragmaticismo; Desinformação; Checagem de Fatos; Mudança de hábito

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