meistudies, 6º Congresso Internacional Media Ecology and Image Studies - A consolidação dos seres media

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Turismo binário: a fotografia de viagem no ecossistema midiático pós-pandemia
Denis Renó

Última alteração: 2023-10-22

Resumo Expandido (Entre 450 e 700 palavras)


O ecossistema fotográfico vive processos mutantes expressivos desde o advento da tecnologia digital, e ocupou um status de coadjuvante por quase duas décadas no jornalismo digital, como complemento dos textos. Nesse ecossistema de mudanças e reconfigurações, destacam-se algumas transformações definidas neste trabalho como fatores interrogativos fundamentais na reconfiguração do ecossistema midiático contemporâneo. Uma delas é a relação existente entre o cidadão, os conteúdos e os dispositivos digitais. Para tanto, consideramos a ideia de mobilidade proposta por Marc Augé (2007) e a sociedade individualizada contemporânea, disseminada por Zygmunt Bauman (2008) como características do humano moderno, somadas às mutações conceituais na ecologia dos meios, originalmente observadas por McLuhan e Postman (Scolari, 2015) e revisadas nos dias atuais.

Para colaborar com a busca de respostas sobre isso, é necessário entender essa atualização através dos estudos compartilhados por Paul Levinson (2012) e Lev Manovich (2013), onde a relação entre o cidadão e os dispositivos digitais torna-se quase orgânica em sua interpretação. Além disso, para ambos autores, a distribuição/circulação contemporânea, que seria inimaginável para os pesquisadores pioneiros da ecologia dos meios, justifica a existência deste estudo: a mudança tecnológica, estética e narrativa da informação imagética em ambientes comunicacionais com potencial de fomento ao turismo contemporâneo (Renó et al, 2021). Neste ecossistema midiático transformado, encontramos, por exemplo, casos em que a foto se transforma em vídeo, um vídeo que ocupa um lugar de foto ou a foto que ocupa a interface de maneira responsiva, informando parte importante da reportagem por seus pixels. Esse novo formato é denominado por Fontcuberta (2016) como pós-fotografia e complementado por Denis Renó (2020) como pós-fotorreportagem.

Finalmente, uma pós-fotografia que constrói narrativas complexas (Dominici, 2021) com base no jornalismo transmídia (Renó & Flores, 2018), especialmente em ambientes naturalmente imagéticos, como o Instagram (Manovich, 2017). Essa é, de fato, a fotografia, que em seu surgimento serviu como uma arte de narrar histórias longínquas até perder essas narrativas, transformando-se em um registro de instantes comuns, cotidianos. Entretanto, essa realidade vive uma reviravolta. Atualmente, encontramos diversas tecnologias digitais que promovem não somente o registro fotográfico de alta qualidade a partir de dispositivos móveis, como também as transformam em mensagem fundamental em reportagens multiplataforma e/ou transmídia, ou seja, através de narrativas complexas, com o papel de agente testemunha e de transformação social.

Essa investigação é motivada por um problema central, que corresponde na reformulação do ecossistema midiático contemporâneo após os efeitos sociais, sanitários e econômicos provocados pela pandemia do COVID-19, com foco principal na ressignificação do turismo. Consideramos, para a detecção do problema, o potencial econômico dessa atividade nos dias pré-pandemia, assim como uma possível reconfiguração. Cabe-nos responder: quais as possibilidades comunicacionais e tecnológicas para o uso da fotografia de viagem no ecossistema digital pós-pandemia? Para isso, foram necessárias experimentações que buscassem o desenvolvimento de novas linguagens para a fotografia de viagem, considerado os conceitos de pós-fotografia (Fontcuberta, 2016) e sua variante pós-fotorreportagem (Renó, 2020), somados às ideias de complexidade (Dominici, 2021), e reforçadas pelas estratégias de linguagem do Jornalismo Transmídia (Renó & Flores, 2018).

Para o desenvolvimento desta pesquisa, adotamos ideias de Henri Cartier-Bresson (2015), quando o mesmo defendeu o valor da fotografia de viagem em uma sociedade que contava com mobilidade planetária restrita, para poucos, algo que sofreu a perda do potencial desse tipo de narrativa fotográfica a partir das últimas décadas do século XX, com a facilitação da mobilidade humana. A pesquisa foi concebida como um estudo de caráter aplicado, também denominada como híbrida, através de um complexo metodológico que compreende, basicamente, pesquisa bibliográfica e o método quase-experimental. Com os resultados obtidos através dos experimentos, é possível afirmar que é viável e necessária a reinvenção da fotografia de viagem para oferecer à sociedade experiências preliminares no campo do turismo imagético.

 

Referências bibliográficas

Augé, M. (2007). Por una antropología de la movilidad. Gedisa.

Bauman, Z. (2008). A sociedade individualizada. Zahar.

Cartier-Bresson, H. (2015). Ver é um todo: Entrevistas e Conversas 1951-1998. Gustavo Gili.

Dominici, P. (2021). La trasformazione digitale come trasformazione antropologia. Il cambio di paradigma e i rischi di una “rivoluzione inespressa”. In C. Ortiz (Org.). Convergências da comunicação: olhares à cultura digital. Ria Editorial.

Fontcuberta, J. (2016). La furia de las imágenes: notas sobre la postfotografía. Galaxia Gutenberg.

Manovich, L. (2017). Instagram and the contemporary image. NYCU.

Manovich, L. (2013). Software takes command. NYCU.

Renó, D. (2020). A pós-fotorreportagem como narrativa imagética no ciberespaço contemporâneo. In G. L. Martins, & D. Rivera (Orgs). +25 Perspectivas do ciberjornalismo. Ria Editorial.

Renó, D.; Banhara, L.; & Viola, N. (2021). A fotorreportagem virtual e a ressignificação do turismo pós-pandemia. In D. Alvarez, L. Gonzales, M. Moraes, R. Fakhoury, V. Altamirano (Orgs.). Mídia e Mercado. Ria Editorial.

Renó, D., & Flores, J. (2018). Periodismo Transmedia. Ria Editorial.

Scolari, C. (2015). Ecología de los medios: entornos, evoluciones e interpretaciones. Gedisa Editorial.

 


Palavras-chave


comunicação; Fotografia; Turismo; Ecologia dos meios

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