meistudies, 6º Congresso Internacional Media Ecology and Image Studies - A consolidação dos seres media

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A imagem-conflito em imagens de guerra
Adriana Pierre Coca, Nísia Martins do Rosário

Última alteração: 2023-10-18

Resumo Expandido (Entre 450 e 700 palavras)


Ainda que muito já tenha se falado sobre o poder das imagens, o tema ainda continua relevante num mundo em que sua produção é vertiginosa e sua capacidade de circulação, assustadora. O foco dessa investigação se direciona para o estudo das articulações possíveis entre imagens midiáticas de guerra, a teoria dos sentidos de Barthes (2009) e a reflexão de Sontag (2003) sobre a representação fotográfica de catástrofes. Assumimos a condução teórico-metodológica, realizando uma exploração comparativa entre imagens ficcionais e imagens informativas que enquadram a guerra contemporaneamente. De um lado temos o filme “Mil vezes boa noite” (2013), do cineasta norueguês Erik Poppe, que conta a história de uma fotógrafa de guerra. De outro lado, temos imagens informativas atuais da guerra em curso na Ucrânia veiculadas em plataformas de notícias.

Propomos a noção de imagem-conflito a partir das discussões sobre as relações entre a arte e as notícias na representação fotográfica de guerras e outras catástrofes, segundo Sontag (2003), que reflete sobre aquela imagem produzida para o consumo e que tem como estímulo primordial o choque. Nessa perspectiva, a autora problematiza as imagens que causam dor e a experiência de contemplá-las. Com Barthes (2009) refletimos sobre narrativas imagéticas que se sistematizam em três níveis de sentidos, os quais podem ser acionados de modos distintos. O primeiro deles é o sentido óbvio, aquele que se apresenta com naturalidade, de fácil compreensão, como as informações que nos chegam pelo cenário, figurinos e diálogos das personagens; já o segundo sentido exige um pouco mais de atenção porque se refere aos símbolos, que são uma espécie de “léxico comum a todos”, é o nível simbólico; o terceiro sentido, ou sentido obtuso, é aquele que nos impõe “algo a mais” que nos oferece diferentes interpretações e se coloca como uma contra narrativa, que pode ser tecida pela técnica, por um objeto de cena dissonante, por uma ação improvável da personagem.

O artigo se propõe a tratar, principalmente, de quatro aspectos:  a) o poder das imagens na relação com as construções culturais e midiáticas, sua capacidade de transformar ambientes e sua capacidade de gerar violência simbólica (Pross, 1980; 1989); b) as especificidades da produção de imagens ficcionais e imagens informativas (jornalísticas) e o modo como elas se propõem a gerar sentidos; c) as singularidades das imagens de guerra atreladas ao conflito, à violência, à questões políticas, à destruição e à morte, tendo em vista, sobretudo, a cobertura midiática e a potência de sua ficcionalização; d) as articulações entre as problematizações de Sontag sobre a imagens de guerra e os níveis de sentidos propostos por Barthes, com ênfase no sentido obtuso, propondo nesse entrelaçamento teórico a noção de imagem-conflito na relação com o corpus selecionado. Em linhas gerais, é possível adiantar que registrar a guerra no âmbito ficcional e no âmbito informativo adotam caminhos diferenciados, sendo o primeiro mais afeito a imagens-conflito provocadoras de choques, construídas sobre sentidos obtusos e o segundo, atravessado por uma ética da imagem jornalística, segue uma convenção visual da “prudência”.

 

Palavras-chave: Guerra; Audiovisual; Fotografia; Sentido Obtuso; Imagem-conflito.

 

 

Referências

Baitello Júnior, N. (2017). De onde vem o poder das imagens que invadem nossas casas e nossos corpos. In: Giannetti, C. (ed.), Ecologia da imagem dos media. Arte e tecnologia: práticas e estéticas. Licorne.

 

Barthes, R. (2009). O óbvio e o obtuso. Ensaios críticos III. Trad. Pascoal, I. Edições 70.

 

_____ (1984). A câmara clara. Nota sobre fotografía. Trad. Guimarães, J. C. Nova Fronteira.

 

Lotman, Y. (2013). Cultura y Explosión. Lo previsible y lo imprevisible en los procesos de cambio social. Trad. Muschietti, D. 2ª ed. Gedisa.

 

_____ (2021). Mecanismos imprevisíveis da cultura. Trad. Machado, I. Hucitec.

 

Kamper, D. (1994). Bildstörungen. Cantz.

 

Pross, H. (1980). Estructura simbólica del poder. Gustavo Gili S.A.

 

_____ (1989). La violência de los símbolos sociales. Antropos.

 

Sontag, S. (2003). Diante da dor dos outros. Trad. Figueiredo, R. Companhia das Letras.


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Comentários sobre o trabalho

  • Olá (1 Resposta)
    Dr. Fabricio Lopes da Silveira (2023-11-02)
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