meistudies, 6º Congresso Internacional Media Ecology and Image Studies - A consolidação dos seres media

Tamanho da fonte: 
Gêneros da narrativa imersiva no ciberjornalismo: uma proposta de tipologia
Eduardo Fernando Uliana Barboza

Última alteração: 2023-10-20

Resumo Expandido (Entre 450 e 700 palavras)


Os meios de comunicação online estão dando os primeiros passos em relação à utilização de novas linguagens para aperfeiçoar as narrativas jornalísticas tradicionais, como as narrativas que envolvem newsgames, infográficos multimídia, conteúdos transmidiáticos e imersivos. Nesse sentido, acreditamos que a narrativa imersiva tem grande potencial como um novo formato para o jornalismo no atual contexto tecnológico.

Assim, tecnologias imersivas como vídeos em 360 graus, em realidade virtual e realidade aumentada despontam como um novo gênero comunicacional que oferece novas possibilidades narrativas para a produção jornalística em ambientes de convergência. Além disso, a utilização de narrativas imersivas pode suprir de uma forma mais dinâmica as necessidades informacionais das pessoas, que estão cada vez mais imersas em ambientes híbridos, rodeadas por aparatos conectados em rede, de óculos e relógios até geladeiras e automóveis.

O presente artigo propõe a classificação da narrativa imersiva enquanto gênero ciberjornalístico e de acordo com o grau de interatividade encontrado. Para tipificar e classificar as iniciativas envolvendo a narrativa imersiva, de acordo com as possibilidades interativas e o grau de profundidade, será utilizado como base o modelo proposto por Cairo (2008) no livro Infografia 2.0 – visualización interactiva de información en prensa, que o autor construiu para analisar a interatividade nos infográficos multimídia. Adaptaremos o protocolo de análise para a pesquisa sobre narrativas imersivas, objetivo deste artigo.

Sobre esses níveis de interação propostos por Cairo (2008), é necessário salientar que, diferente do objeto escolhido pelo autor, a proposta deste trabalho é aplicar essa classificação segundo o emprego da narrativa jornalística imersiva e não nos infográficos multimídia, com o propósito de analisar os graus de interatividade e imersão do conteúdo jornalístico. Neste caso, a infografia, quando presente, será considerada apenas como um item da narrativa. Em relação aos níveis de profundidade da narrativa imersiva, podemos adotar os mesmos critérios utilizados por Cairo (2008), usando essa classificação como uma categoria qualitativa que define a profundidade da navegação e dos conteúdos jornalísticos interativos analisados.

Canavilhas (2006), em seus estudos sobre meios de comunicação online, propõe definições de jornalismo online, webjornalismo e ciberjornalismo. “Na fase a que chamamos webjornalismo/ciberjornalismo, as notícias passam a ser produzidas com recurso a uma linguagem constituída por palavras, sons, vídeos, infografias e hiperligações, tudo combinado para que o utilizador possa escolher o seu próprio percurso de leitura” (Canavilhas, 2006, p. 2).

Para Schwingel (2012), o ciberjornalismo, como prática jornalística, é caracterizado por incorporar diferenciais como interatividade, multimidialidade, hipertextualidade e customização de conteúdo proporcionados pelo meio, neste caso, o ciberespaço.

Contudo, a idéia de interatividade oferecida atualmente pelos meios de comunicação online passa a falsa sensação de que estamos no controle das ações e dos caminhos oferecidos para navegar pelo conteúdo dos sites. Na verdade, como explica Manovich (2001, p. 74), somos sutilmente direcionados para passagens pré-estabelecidas. “Antes, nós olharíamos uma imagem e mentalmente seguiríamos nossas próprias associações pessoais para outras imagens. Ao invés disso, agora a mídia interativa pelo computador nos pede para clicarmos em uma imagem a fim de ir para outra imagem. (Manovich, 2001, p. 74).

E o usuário contemporâneo, que Santaella (2004) chama de leitor imersivo nasce “da hipótese de que a navegação interativa entre nós e nexos pelos roteiros alineares do ciberespaço envolve transformações sensórias, perceptivas e cognitivas que trazem consequência também para a formação de um novo tipo de sensibilidade corporal, física e mental” (Santaella, 2004, p.34). Esse leitor é afetado e modificado pelas transformações sócio-culturais, tecnológicas e comunicativas ocorridas nos ambientes digitais e conectados. Sua principal marca de identificação é a interatividade.

De acordo com Salaverría e Cores (2005), a navegação hipertextual ajudou a ampliar os limites dos gêneros jornalísticos clássicos que, em sua maioria, foram importados do jornalismo impresso. Sob esse ponto de vista, é justamente a navegação hipertextual que contribuiu para converter os gêneros tradicionais “em novos gêneros que incorporam as possibilidades hipertextuais, multimídia e interativas. Ou seja, dá luz a novos gêneros ciberjornalísticos” (Salaverría e Cores, 2005, p.147). É neste contexto, então, que surge a discussão dos gêneros da narrativa imersiva no ciberjornalismo. Como os produtos jornalísticos no ciberespaço, cada vez mais, se distinguem do jornalismo tradicional impresso ou audiovisual, é preciso uma nova gama de gêneros que contemplem as características dessas novas narrativas.

Referências bibliográficas

Cairo, A. (2008). Infografia 2.0: visualización interactiva de información en prensa. Alamut.

Canavilhas, J. (2006). Do jornalismo online ao webjornalismo: formação para mudança. Biblioteca On-line de Ciências da Comunicação. http://www.bocc.ubi.pt/pag/canavilhas-joao-jornalismo-online-webjornalismo.pdf

Gosciola, V. (2011). Narrativa transmídia: a presença de sistemas de narrativasintegradas e complementares na comunicação e na educação. Revista Quaestio., 13(2). UNISO.

Manovich, L. (2001). The language of the New Media. Massachussetts Institute ofTechnology.

Salaverría, R., & Cores, R. (2005). Géneros periodísticos en los cibermedios hispanos. In R. Salaverría (org.), Cibermedios. El impacto de internet en los medios decomunicación en España. Comunicación Social Ediciones y Publicaciones.

Santaella, L. (2004). Navegar no ciberespaço: o perfil cognitivo do leitor imersivo. Paullus.

Schwingle, C. (2012). Ciberjornalismo. Paulinas.


Texto completo:

PDF - pt