meistudies, 6º Congresso Internacional Media Ecology and Image Studies - A consolidação dos seres media

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O mercado editorial especializado em TV e a cultura de fãs dos anos 1960 no Brasil: uma análise da seção "Entreviste seu Ídolo" da revista Intervalo
Talita Magnolo, Daiana Sigiliano

Última alteração: 2023-10-24

Resumo Expandido (Entre 450 e 700 palavras)


Resumo: Este artigo tem como objetivo analisar e identificar o perfil dos fãs que participaram da seção “Entreviste seu Ídolo”, da revista Intervalo. Isto é, a partir do levantamento das edições publicadas entre 1968 e 1969 pretendemos discutir questões relacionadas ao perfil de fã escolhido para participar da seção, além do segmento de atuação do ídolo e o contexto das perguntas respondidas pelo entrevistado. De acordo com Jenkins (2012) ao se tornar fã de algo o público passa a se envolver tanto emocional quanto intelectualmente com o conteúdo, convocando várias competências e níveis de atenção. Neste contexto, Hirsjärvi (2013) e Jenkins et al. (2020) afirmam que os fãs são um ponto de referência nas discussões sobre a produção e o consumo. No Brasil, apesar de serem minoritários, os estudos da cultura de fãs no campo da Comunicação estão em expansão e abrangem diversas áreas como identidades, políticas, consumo (Amaral et al, 2022). Entretanto, as pesquisas se concentram nos fenômenos contemporâneos, principalmente os norteados pelas plataformas digitais. Neste sentido, o este artigo parte de uma amostra ainda pouco explorada nos estudos da cultura de fãs no país. O desenvolvimento da cultura de massa materializado pela televisão no Brasil, a partir da década de 1950, apresentou aos consumidores novas estratégias comunicativas e estabeleceu novas relações com os fãs advindos, inicialmente, do rádio e das revistas de cinema e fotonovelas. A revista Intervalo, empreendimento da Editora Abril, circulou entre os anos de 1963 e 1972. Ela é considerada um dos veículos impressos especializados em TV de maior importância da época visto que além de cobrir e divulgar em suas páginas a programação televisiva nacional, possuía diversas seções que cumpriram com o papel de aproximar o leitor do mundo da televisão e, automaticamente, construir uma relação e alimentar a cultura de fãs do período. A TV brasileira, durante os anos 1960, evoluiu, organizando sua grade de programação e diversificando cada vez mais os gêneros televisivos. A revista Intervalo, por sua vez, ao observar este movimento estratégico das emissoras e o consequente interesse de seus leitores, criou diversas seções que estabeleceram diálogos e construíram diversas relações com seu público (Magnolo, 2023). Uma destas, foi a seção intitulada “Entreviste seu Ídolo”, criada em 1968 e que durou um ano, sendo encerrada no final de 1969. Ela propunha que o leitor entrevistasse o seu ídolo, sendo que a cada seção o entrevistado mudava. A entrevista acontecia presencialmente e era registrada pela equipe da revista, ou seja, nesta seção o leitor poderia ir à casa da personalidade, seu ateliê, local de ensaio, cenários de programas, entre outros. Para a análise foram levantadas 52 edições, totalizando, portanto, 52 entrevistas publicadas na seção “Entreviste seu Ídolo”. Os conteúdos foram transcritos e exportados para o software Atlas.ti, e posteriormente, sistematizados manualmente a partir dos objetivos do trabalho. Conclui-se que 87% dos fãs que participaram da seção são mulheres, que vai ao encontro de outros perfis traçados no âmbito dos estudos da cultura de fãs (Jenkins, 2015). Entre os tópicos mais discutidos estão o cenário musical da época e as telenovelas, o que reforça as principais pautas que eram abordadas na Intervalo. Entretanto, é importante ressaltar que as perguntas não aprofundam aspectos técnicos e/ou específicos relacionados ao conteúdo midiático em questão, mas focam em detalhes relacionados à vida pessoal dos artistas, reforçando a patologização e estigmatização dos fãs recorrente nas publicações editoriais da década 1960.

Referências

Amaral, A. et al (2022). Estudos de fãs no Brasil: levantamento de artigos publicados em periódicos na área de Comunicação. Temática, 18 (12), p. 185 -200. DOI https://doi.org/10.22478/ufpb.1807-8931.2022v18n12.64861

Hirsjärvi, I. (2013). Alfabetización mediática, fandom y culturas participativas. Un desafío global. Anàlisi Monogràfic, (38), 37-48. https://ddd.uab.cat/record/112869

Jenkins, H. (2012). Lendo criticamente e lendo criativamente. Matrizes, 9(11), 11-24. https://doi.org/10.11606/issn.1982-8160.v6i1-2p11-24

Jenkins, H. (2015). Invasores do Texto - Fãs e cultura participativa. Marsupial Editora.

Jenkins, H. et al (Eds.). (2020). Popular Culture and the Civic Imagination: Case Studies of Creative Social Change. NYU Press.

Magnolo, T. (2022) "Intervalo para conversa": a carta do leitor de revista e a formação do público da TV brasileira nos anos 1960 e 1970. [Tese de doutorado]. Programa de Pós-graduação em Comunicação, Universidade Federal de Juiz de Fora

Palavras-Chave: Revista Intervalo; Cultura de fãs; "Entreviste seu Ídolo"; 1960


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